Quarta-feira, 08 de julho de 2026

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Voltar Quase 64 milhões de brasileiros não têm educação básica completa

O Brasil tem 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não concluíram a educação básica e estão fora da escola. O contingente representa 37,3% da população nessa faixa etária e evidencia um dos principais desafios educacionais do país, segundo estudo divulgado nesta semana pela Rede EJA e Inclusão Produtiva, iniciativa formada por 16 organizações da sociedade civil. O levantamento foi elaborado com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) de 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Do total de brasileiros sem educação básica completa, 44,7 milhões não terminaram o ensino fundamental, enquanto outros 19,3 milhões interromperam os estudos antes de concluir o ensino médio. Apesar de esse número apresentar redução em relação a anos anteriores, os pesquisadores afirmam que a queda não decorre, principalmente, do aumento da escolarização, mas do envelhecimento e da mortalidade dessa população.

O estudo também chama atenção para a baixa capacidade de atendimento da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Atualmente, apenas cerca de 1,5% da demanda potencial está matriculada nessa modalidade de ensino. Além disso, o número de municípios brasileiros sem oferta de EJA mais que dobrou nas últimas décadas, dificultando o acesso de milhões de pessoas que desejam retomar os estudos.

Segundo os pesquisadores, a baixa escolaridade está diretamente relacionada à inserção precária no mercado de trabalho, aos menores rendimentos e à ampliação das desigualdades sociais. O levantamento estima que a falta de escolarização provoca perdas anuais de aproximadamente R$ 66 bilhões em renda no país, além de reduzir a produtividade da economia e limitar o desenvolvimento regional.

O diagnóstico foi apresentado durante o lançamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva, que pretende articular governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil para ampliar o acesso à educação e estimular políticas voltadas à qualificação profissional de jovens e adultos.

O relatório destaca que ainda existe uma “janela de oportunidade” para recuperar parte da população que abandonou a escola nas décadas de 1980 e 1990. “A queda da demanda não significa que o problema está sendo resolvido. Indica que essa população está envelhecendo e morrendo antes de ser alcançada”, afirma o estudo.

Os autores defendem que a ampliação de vagas, por si só, não será suficiente para reverter esse cenário. Entre as medidas consideradas prioritárias estão a busca ativa de estudantes, currículos mais conectados à realidade do público adulto, políticas de permanência e maior integração entre educação e mercado de trabalho.

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