Quarta-feira, 08 de julho de 2026

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Voltar A cada três litros de água tratada que saem de uma estação de saneamentono Brasil, uma desaparece antes de chegar à torneira

A cada três litros de água tratada produzidos pelas companhias de saneamento no Brasil, um se perde antes de chegar ao consumidor. O índice de perdas na distribuição alcançou 37,8% em 2023, segundo os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades. O percentual coloca o país distante da meta estabelecida pelo novo Marco Legal do Saneamento, que prevê reduzir as perdas para 25% até 2033.

As perdas ocorrem por diferentes fatores. Parte da água escapa por vazamentos em tubulações antigas e reservatórios, enquanto outra parcela deixa de ser faturada em razão de ligações clandestinas, fraudes em hidrômetros e falhas de medição. Além do desperdício de um recurso cada vez mais estratégico, o problema aumenta os custos operacionais das concessionárias e pressiona as tarifas pagas pelos consumidores.

O cenário levou empresas de saneamento a investir em novas tecnologias para localizar vazamentos ocultos, muitos deles subterrâneos e imperceptíveis na superfície. Entre as soluções está um equipamento conhecido como “robô de Marte”, apelido dado a um dispositivo desenvolvido originalmente para missões espaciais e adaptado para percorrer o interior das tubulações de água.

O equipamento é capaz de navegar por redes pressurizadas sem interromper o abastecimento. Durante o trajeto, utiliza sensores de alta precisão para identificar fissuras, corrosão e pontos de vazamento que dificilmente seriam encontrados por métodos convencionais. As informações são transmitidas em tempo real para equipes técnicas, permitindo reparos mais rápidos e reduzindo a necessidade de escavações extensas.

Outra ferramenta que vem ganhando espaço é o emprego de cães treinados para detectar vazamentos. Com olfato altamente sensível, os animais conseguem identificar o cloro presente na água tratada que escapa por pequenas fissuras nas tubulações enterradas. A técnica já é utilizada em países da Europa e passou a ser adotada por concessionárias brasileiras, principalmente em áreas urbanas onde o uso de equipamentos tradicionais encontra limitações.

Além dos cães e dos robôs, empresas do setor ampliaram o uso de sensores acústicos, medidores inteligentes, imagens de satélite, inteligência artificial e sistemas de monitoramento remoto capazes de acompanhar, em tempo real, a pressão da rede e indicar alterações compatíveis com vazamentos.

De acordo com especialistas em saneamento, reduzir as perdas é considerado um dos caminhos mais rápidos para ampliar a oferta de água sem a necessidade de construir novos sistemas de captação e tratamento. Em grandes centros urbanos, onde a expansão da infraestrutura enfrenta restrições ambientais e custos elevados, a recuperação da água desperdiçada pode representar milhões de litros adicionais disponíveis para abastecimento diariamente.

As perdas variam significativamente entre os estados e municípios. Enquanto algumas concessionárias já operam com índices próximos aos observados em países desenvolvidos, inferiores a 20%, outras ainda desperdiçam mais da metade da água tratada produzida. O Ministério das Cidades acompanha a evolução dos indicadores por meio do SNIS, utilizado como referência para investimentos públicos e privados no setor.

(Com Valor)

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