Quarta-feira, 08 de julho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 8 de julho de 2026
As notas de corte do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) registraram alta após as mudanças implementadas pelo Ministério da Educação (MEC) para a edição de 2026. Apesar do aumento da concorrência em diversos cursos, a maior parte das vagas continuou sendo ocupada por candidatos que realizaram a edição mais recente do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), reduzindo o espaço para estudantes que tentavam ingressar na universidade utilizando notas de anos anteriores.
Desde este ano, o Sisu passou a contar com apenas uma edição anual. Os candidatos aprovados iniciam as aulas no primeiro ou no segundo semestre, conforme o calendário definido pelas instituições de ensino superior. A mudança substituiu o modelo anterior, que previa processos seletivos separados para cada semestre.
Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo mostra que, embora o novo formato tenha elevado as notas de corte em diversos cursos concorridos, ele também ampliou a predominância dos estudantes que prestaram o último Enem. Em universidades federais, praticamente todas as vagas foram preenchidas por candidatos que fizeram a prova em 2025, enquanto os participantes de edições anteriores tiveram participação residual na seleção.
A principal explicação está no próprio funcionamento do sistema. Como o Sisu reúne todas as vagas do ano em um único processo seletivo, candidatos com notas mais altas conseguem garantir uma vaga logo na primeira seleção, diminuindo a quantidade de oportunidades remanescentes para quem pretendia disputar uma vaga no segundo semestre utilizando um desempenho obtido em anos anteriores.
A elevação das notas de corte foi mais perceptível em cursos tradicionalmente disputados, como Medicina, Direito, Psicologia e algumas Engenharias. Em várias instituições, a pontuação mínima necessária para permanecer entre os classificados aumentou à medida que candidatos com notas elevadas passaram a concentrar suas inscrições no processo unificado.
Especialistas ouvidos pela Folha avaliam que o novo modelo tornou o processo mais competitivo e pode ter reduzido oportunidades para estudantes que interromperam os estudos, precisaram adiar o ingresso na universidade ou decidiram reutilizar uma nota antiga do Enem. Segundo eles, o formato anterior permitia que parte dessas vagas fosse disputada em um segundo processo seletivo, ampliando as chances de aprovação ao longo do ano.
O Ministério da Educação defende que a unificação simplifica o calendário das universidades e oferece maior previsibilidade para estudantes e instituições. A pasta também argumenta que o modelo reduz custos administrativos e evita que candidatos aprovados em uma edição desistam da vaga para participar da seleção seguinte, o que frequentemente gerava chamadas sucessivas das listas de espera.
Pelas regras atuais, podem participar do Sisu os candidatos que fizeram a edição mais recente do Enem, obtiveram nota superior a zero na redação e não se inscreveram na condição de treineiros. As inscrições continuam sendo gratuitas e a classificação é realizada exclusivamente com base na nota do exame, respeitando as modalidades de ampla concorrência e as cotas previstas na legislação.
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