Sexta-feira, 12 de junho de 2026

Sexta-feira, 12 de junho de 2026

Voltar SpaceX estreia com salto de 21%, empresa agora vale 2 trilhões de dólares e faz de Elon Musk o 1º trilionário

A SpaceX (SPCX), de Elon Musk, estreiou nesta sexta-feira (12) na Nasdaq já como uma gigante de Wall Street. Por volta das 13h36min (de Brasília), as ações avançam 21,48%, a US$ 163,75. Com isso, o valor de mercado da empresa atinge US$ 2 trilhões e faz de Elon Musk o primeiro trilionário do mundo.

Nas primeiras horas de operação na B3, os BDRs da empresa, com o ticker SPCX34, subiam 17,91% a R$ 54,63. BDR é a sigla para Brazilian Depositary Receipt. Na prática, trata-se de um certificado negociado no Brasil que representa uma ação emitida no exterior.

Antes da estreia, a SpaceX precificou suas ações ordinárias Classe A em US$ 135 por papel, alcançando um valor de mercado estimado em US$ 1,76 trilhão. A operação entrou para a história como a maior oferta pública inicial (IPO) já realizada, superando, mesmo após o ajuste pela inflação, todas as estreias anteriores no mercado acionário.

Com essa avaliação, a companhia estreou na bolsa de valores como a oitava empresa mais valiosa do mundo. O tamanho da operação e a posição alcançada pela SpaceX ajudam a explicar por que boa parte dos analistas considera a abertura de capital um dos eventos mais importantes da história recente de Wall Street.

Vale a pena?

Apesar da euforia, especialistas recomendam cautela sobre as ações da SpaceX. Para eles, a decisão de incluir os papéis da companhia na carteira deve passar por uma análise criteriosa dos fundamentos do negócio e, principalmente, de sua avaliação de mercado.

Noah Weisberger, analista de ações americanas da BCA Research, chama a atenção para o valuation da SpaceX. Mesmo quando comparada a gigantes consolidadas, como Meta (META) e Nvidia (NVDA), a empresa negocia a múltiplos de preço sobre receita considerados extremamente elevados.

“IPOs costumam entregar crescimento de receitas e de lucro por ação. Mas a empresa ainda tem um longo caminho pela frente para justificar plenamente a avaliação que está recebendo”, afirma.

Já a orientação de Aswath Damodaran, considerado o ‘rei do valuation’, é não participar do IPO da SpaceX ao preço esperado de mercado, apesar de ressaltar que considera a empresa “extraordinária”.

Para ele, a SpaceX possui vantagens competitivas reais em lançamentos espaciais e na Starlink, além de um enorme potencial em inteligência artificial, mas o mercado parece estar embutindo expectativas excessivamente otimistas para a xAI e para o tamanho futuro desse mercado.

“O principal risco é de a empresa superestimar o mercado de IA e investir dezenas de bilhões de dólares em um segmento altamente competitivo e de rentabilidade ainda incerta”, conclui, em relatório.

Em 2025, a SpaceX registrou receita de aproximadamente US$ 18,7 bilhões, impulsionada principalmente pela Starlink. Apesar de gerar caixa operacional, a companhia segue no vermelho devido ao elevado volume de investimentos em foguetes, satélites e infraestrutura de inteligência artificial, segundo relatório do banco suíço Mirabaud.

Atualmente, a Starlink responde por cerca de 60% das receitas da empresa, enquanto a xAI e a divisão aeroespacial representam aproximadamente 20% cada.

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