Sexta-feira, 31 de julho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 30 de julho de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (30) que, caso seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seja considerado culpado, terá que responder pelos seus atos “como todo mundo”. O petista também declarou que não utilizará o cargo de presidente da República para proteger o filho.
Ao comentar a situação de Lulinha, Lula relembrou as acusações que sofreu durante a Operação Lava-Jato e mencionou a morte de sua mulher, Marisa Letícia, em 2017.
“Se ele estiver certo, ele vai ter a minha ajuda. Se ele fizer a coisa errada, ele sabe o que eu passei. Sabe o que é um pai, com cinco filhos, ver na televisão chamarem a família de ladrão o tempo inteiro. Ele sabe que a minha mulher morreu por causa da desgraça da Lava-Jato. Ele sabe. Então ele não tem o direito de errar. Ele sabe disso. Ele jura para mim todo dia, e eu acredito nele”, afirmou Lula em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.
O presidente também disse que Lulinha, que está na Espanha, retornará ao Brasil caso seja chamado para responder a um eventual processo judicial.
“Se for julgado, virá para cá. Não vai ficar escondido, não. Não vou utilizar meu cargo para protegê-lo. Ele vai vir para cá. Ele vai ter que provar que é inocente, como eu provei. Vai ter que provar. E, se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra”, declarou.
Lula afirmou ainda que o filho é alvo de ataques políticos desde 2006 e disse que informações falsas foram divulgadas contra ele ao longo dos anos.
“Esse meu filho, desde 2006, vem sendo utilizado. Quem quer me atacar começa atacando ele. Dizem que ele é dono de todos os gados da JBS, que tinha carro de ouro”, afirmou.
O presidente também garantiu que Lulinha não terá tratamento diferenciado durante as investigações. Segundo Lula, caso o filho seja acusado de irregularidades, deverá responder como qualquer outro cidadão.
“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pediria para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas”, disse.
Mais cedo, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um novo inquérito para investigar suspeitas de que Fábio Luís Lula da Silva tenha cometido crimes de tráfico de influência e corrupção, após pedido da Polícia Federal (PF).
Lulinha já era investigado em um dos inquéritos que apuram fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A nova frente de investigação relaciona possíveis irregularidades envolvendo negociações sobre cannabis medicinal e supostas ligações com servidores do Ministério da Saúde e do Palácio do Planalto.
A abertura da nova investigação ocorre em meio a questionamentos internos no STF sobre alguns procedimentos adotados pela Polícia Federal no avanço do caso.
(Com O Globo)
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