Sexta-feira, 31 de julho de 2026

Sexta-feira, 31 de julho de 2026

Voltar Ministro André Mendonça autorizou a Polícia Federal a monitorar localização do celular do senador Jaques Wagner em investigação sobre Banco Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a monitorar, por dez dias, a localização aproximada dos celulares do senador Jaques Wagner (PT-BA) e de outros investigados no inquérito que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionadas ao antigo Banco Master. A medida incluiu o acesso a registros de antenas de telefonia (ERBs), histórico de chamadas e outros metadados capazes de reconstruir deslocamentos e identificar contatos entre os investigados, mas não permite o acesso ao conteúdo de conversas ou mensagens.

A decisão, assinada em 17 de junho e que teve o sigilo retirado nesta quinta-feira, foi tomada no âmbito da Operação Compliance Zero. Mendonça acolheu parcialmente um pedido da PF e autorizou o monitoramento em tempo real apenas de seis investigados, entre eles Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, apontado como um dos principais operadores ligados ao Banco Master. O ministro negou a mesma medida em relação a outros quatro alvos por entender que, neste momento, eles não ocupam posição de protagonismo suficiente para justificar uma restrição mais intensa ao sigilo de dados.

Na decisão, Mendonça afirma que os dados de localização são relevantes para reconstruir deslocamentos, confirmar encontros entre investigados e identificar vínculos comunicacionais. Segundo ele, o acesso aos registros de ERB e chamadas telefônicas poderá contribuir para futuras diligências, como a apreensão de celulares, a preservação de provas digitais e a localização de documentos considerados importantes para a investigação. O ministro também afirma que a medida pode confirmar ou afastar hipóteses investigativas sobre pessoas cuja participação ainda não esteja completamente esclarecida.

Ao justificar a autorização, Mendonça afirma que a PF apresentou indícios de que os investigados utilizariam chamadas de voz, encontros presenciais e mensagens temporárias para reduzir a produção de provas documentais. O ministro também menciona o uso de linguagem cifrada em parte das conversas e afirma que havia risco concreto de vazamento das diligências, circunstâncias que, segundo ele, tornavam necessário o monitoramento em tempo real da localização dos aparelhos.

Mendonça registrou que um dos investigados solicitou uma audiência em seu gabinete no mesmo dia em que chegaram ao STF os pedidos apresentados pela Polícia Federal para essa fase da investigação. Na avaliação do ministro, o fato reforçou a preocupação com eventual vazamento das medidas em preparação.

“Quanto ao ponto, impende realçar a ocorrência de fato que agudiza os riscos de vazamento indevido da operação no presente caso. Trata-se de solicitação de audiência, por parte de um dos investigados, recebida pelo meu gabinete, enquanto Ministro relator do caso, no mesmo dia em que aportaram as representações da Polícia Federal relacionadas à presente fase investigativa (09/06/2026), inclusive em horário anterior à distribuição de algumas das representações”, afirmou.

O ministro ressalta que a autorização não representa um juízo de culpa e não permite interceptação telefônica. Segundo ele, a decisão se limita ao acesso a metadados, como registros de chamadas, identificação dos aparelhos, histórico de conexões e localização aproximada dos terminais por meio das estações rádio-base utilizadas pelas operadoras. O conteúdo das comunicações permanece protegido.

“Ressalte-se expressamente que a autorização ora examinada não implica juízo de culpa, nem afirma participação definitiva dos investigados. A medida se justifica, neste momento, pela necessidade de coleta de dados periféricos de localização e conexão, a fim de confirmar ou afastar vínculos com os fatos em apuração”, disse.

Segundo a investigação da PF, Jaques Wagner é suspeito de ter recebido vantagens indevidas de gestores ligados ao Banco Master, direta ou indiretamente, por meio de familiares e empresas vinculadas ao seu núcleo. A decisão cita suspeitas relacionadas à aquisição de um apartamento em Salvador, repasses financeiros para empresa ligada à família do senador e suposta atuação parlamentar em temas de interesse da instituição financeira, como mudanças no crédito consignado, discussões sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e iniciativas relacionadas à tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. Wagner nega irregularidades.

 

(Com O Globo)

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