Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Voltar Tribunal Superior Eleitoral cobra mais detalhes de metodologia de pesquisas eleitorais, e institutos criticam mudanças

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alterou neste mês os procedimentos de registro de pesquisas eleitorais e passou a exigir informações mais detalhadas sobre a metodologia utilizada pelos institutos. As novas exigências entrarão em vigor a partir da próxima segunda-feira (5), um dia após o primeiro turno das eleições de 2026.

As mudanças foram determinadas durante a gestão do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do TSE e atingem o sistema PesqEle, utilizado para o registro dos levantamentos eleitorais. Entre as novas informações que deverão ser apresentadas estão os municípios onde as entrevistas foram realizadas, a data e o horário exatos de início e término da coleta e a base utilizada para a pesquisa.

Os institutos também terão de informar eventuais limitações de cobertura do levantamento e se foram utilizados recursos como áudio, vídeo ou imagens durante a aplicação dos questionários. A ordem das perguntas também passa a ser detalhada no registro.

Em documento assinado pelo presidente do TSE, o tribunal afirmou que os chamados “aprimoramentos” têm como objetivo ampliar a padronização e o detalhamento das informações metodológicas dos levantamentos registrados.

“Com a implementação das novas funcionalidades, as empresas continuarão realizando o preenchimento dos campos atualmente existentes no sistema e passarão a fornecer informações complementares destinadas a detalhar aspectos metodológicos das pesquisas registradas”, afirma o documento.

Representantes dos institutos de pesquisa, entretanto, questionaram o momento e a forma de implementação das mudanças. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) afirmou que não é contrária ao objetivo de ampliar a transparência, mas criticou a adoção das novas exigências durante o processo eleitoral.

Segundo a entidade, as alterações deveriam ter sido discutidas previamente com o setor e acompanhadas de prazo para testes e adaptação. A associação também afirmou que os novos campos não foram submetidos a um debate público específico antes de sua obrigatoriedade.

A diretora do Datafolha, Luciana Chong, também defendeu que as novas regras fossem aplicadas em uma eleição futura. Segundo ela, alguns dados já são informados no registro das pesquisas, como margem de erro, intervalo de confiança e tipo de abordagem.

“Várias dessas perguntas a gente já responde”, afirmou Chong, segundo a reportagem da Folha de S.Paulo. A diretora também questionou a necessidade de informar alguns detalhes, como o horário exato em que cada entrevista foi realizada.

A estatística responsável pelo Datafolha, Renata Nunes Cesar, apontou que os institutos precisarão adaptar procedimentos para atender ao novo questionário. Entre os pontos citados está a identificação de entrevistados que interromperam a participação antes do fim da pesquisa.

Márcia Cavallari, líder de opinião pública da Ipsos-Ipec, também criticou a forma de implementação. Para ela, seria possível ampliar as informações metodológicas sem a necessidade de mudanças imediatas para cada levantamento.

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