Quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 16 de setembro de 2026
A diferença entre os preços do diesel praticados pela Petrobras e as cotações internacionais aumentou a preocupação de importadores com o abastecimento do mercado brasileiro em outubro, período de maior demanda devido ao avanço da safra agrícola. Dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) indicam que estão previstos, até o momento, cerca de 150 mil metros cúbicos de diesel importado para entrega no próximo mês, contra aproximadamente 850 mil metros cúbicos em setembro.
A redução do volume programado ocorre em um momento de aumento das cotações internacionais do combustível. Segundo dados da Abicom, a defasagem chegou a 104%, equivalente a R$ 2,87 por litro, na segunda-feira (14). Na sexta-feira (11), o percentual havia alcançado 109%, o maior nível registrado até então.
A diferença de preços reduz a atratividade das importações privadas. O diesel comprado no exterior chega ao mercado brasileiro com custo superior ao preço praticado internamente, o que pode resultar em prejuízo para as empresas que realizam as operações.
O presidente da Abicom, Sergio Araujo, afirmou que a situação exige atenção diante do aumento sazonal do consumo.
“O cenário é preocupante, pois em setembro já tivemos redução na importação de diesel em relação aos meses anteriores. Em agosto, acabou havendo sobra na oferta, com a soma da produção e da importação entre 1,2 milhão e 1,3 milhão de metros cúbicos, permitindo que a demanda de setembro fosse atendida. Agora, em outubro, quando o consumo é ainda maior, há risco de falta de diesel”, disse.
A preocupação já chegou ao agronegócio. No Rio Grande do Sul, a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) encaminhou cartas ao Ministério de Minas e Energia e à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) relatando preocupação com restrições e atrasos na entrega de diesel a produtores rurais.
O alerta ocorre no início do período de plantio da safra de verão. A entidade afirmou que situação semelhante havia sido registrada entre março e abril deste ano, durante a colheita de arroz e soja.
“Agora, o problema reaparece em momento igualmente decisivo”, afirmou a Farsul no documento. Segundo a entidade, a janela de plantio é limitada e eventuais dificuldades no fornecimento de combustível poderiam atrasar a implantação das culturas, reduzir a área plantada e afetar a produtividade.
O presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, também relatou “suboferta do diesel S500” no mercado à vista do Estado.
A ANP informou, por sua vez, que entrou em contato com a Petrobras e com distribuidoras que atuam no Rio Grande do Sul. Segundo a agência, as empresas informaram que as entregas estavam ocorrendo normalmente.
O cenário também é acompanhado pelo governo federal. Uma medida provisória publicada na sexta-feira (11) autorizou uma subvenção adicional de R$ 1 por litro de diesel, mas ainda dependia de regulamentação para entrar em vigor. O mecanismo foi anunciado como forma de reduzir parte dos custos de importação.
Apesar dos alertas do setor, há avaliações diferentes sobre a possibilidade de desabastecimento. O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Pedro Rodrigues, afirmou que uma defasagem elevada reduz a disposição das empresas privadas de importar e aumenta a pressão sobre o sistema.
A Petrobras declarou que acompanha a oferta e a demanda e afirmou que estão previstas importações de diesel em volumes compatíveis com o consumo de setembro e outubro. A estatal também disse que suas refinarias seguem realizando as entregas conforme o planejamento e que está cumprindo os compromissos comerciais assumidos com as distribuidoras.
(Com O Globo)
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