Quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 16 de setembro de 2026
O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo processos em tramitação em tribunais superiores. A ação é a terceira fase da Operação Transparência e foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação ocorreu na segunda-feira (14).
Segundo a Polícia Federal, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços no Distrito Federal e em São Paulo. A investigação teve início em dezembro de 2025, a partir de apurações sobre possíveis irregularidades relacionadas à destinação de emendas parlamentares.
De acordo com a PF, os investigadores identificaram indícios de que integrantes do grupo investigado teriam negociado o pagamento de valores elevados sob a promessa de influenciar decisões judiciais em processos que tramitavam em tribunais superiores.
A decisão que autorizou as buscas aponta suspeitas de que Cezinha teria apresentado a terceiros a possibilidade de acesso e influência sobre ministros do STF. Entre os nomes mencionados nas conversas analisadas pelos investigadores estão os ministros Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes.
A apuração, no entanto, não aponta os ministros como investigados. A própria Polícia Federal afirmou que não encontrou elementos que indiquem solicitação, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por integrantes do Poder Judiciário.
A PF afirma que os magistrados mencionados nas conversas aparecem nos autos “exclusivamente como destinatários cogitados da influência anunciada pelos investigados” e “jamais como suspeitos”.
Segundo a investigação, teriam sido discutidos pagamentos de até R$ 2 milhões em troca da demonstração de que o deputado teria tratado de determinados assuntos diretamente com ministros responsáveis por processos no Supremo.
As diligências também envolvem uma advogada e o marido dela. Em uma decisão, Dino destacou a existência de suspeitas de que valores poderiam ter sido pagos por meio do transporte físico de dinheiro, o que, segundo a PF, dificultaria a identificação das movimentações pelo sistema bancário.
O ministro negou um pedido da Polícia Federal para que fosse realizada busca no gabinete de Cezinha na Câmara dos Deputados. Dino considerou insuficiente a fundamentação apresentada para justificar a medida naquele local.
Após a operação, Cezinha negou ter cometido irregularidades. Em nota divulgada por sua defesa, o deputado afirmou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e pediu que a investigação fosse conduzida sem influência do período eleitoral.
A PF informou que a operação não encontrou elementos que apontem participação de integrantes do Judiciário nos fatos investigados. As apurações continuam para esclarecer a origem dos pagamentos, os eventuais beneficiários e a extensão das relações mantidas pelos investigados com pessoas interessadas em processos nos tribunais superiores.
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