Quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Voltar Mais de 40 brasileiros estão entre 25 mil deportados pelos Estados Unidos a 35 países sob acordos secretos

Mais de 25 mil pessoas foram deportadas pelos Estados Unidos para países diferentes daqueles de origem desde janeiro de 2025, incluindo mais de 40 brasileiros. Os dados fazem parte de uma investigação jornalística internacional publicada nesta semana, que identificou acordos firmados pelo governo norte-americano com 35 países para receber migrantes que não poderiam ser enviados diretamente de volta aos seus países de origem.

Segundo a investigação conduzida pelo Forbidden Stories em parceria com um consórcio internacional de jornalistas, pelo menos 25.447 pessoas haviam sido transferidas para terceiros países até 31 de agosto de 2026. A maior parte, cerca de 20 mil, foi enviada para o México. As demais pessoas foram distribuídas por outros 27 países da América Latina, África e região do Pacífico.

Entre os deportados estão brasileiros. Mais de 40 cidadãos do Brasil teriam sido enviados para países como Costa Rica, Libéria e Guiné Equatorial, segundo os dados reunidos pela investigação. Nesses casos, as pessoas não tinham necessariamente vínculos com os países que receberam os deportados.

Os acordos fazem parte de uma política adotada pelo governo do presidente Donald Trump para ampliar as possibilidades de remoção de imigrantes que não podem ser enviados diretamente aos países de origem. Os termos variam conforme o país envolvido e estabelecem diferentes condições para a aceitação dos deportados.

A investigação apontou que os Estados Unidos reservaram pelo menos US$ 410 milhões para financiar os acordos e as operações relacionadas às transferências. Parte dos recursos seria destinada diretamente aos governos dos países que recebem os migrantes, enquanto outra parcela seria direcionada a organizações internacionais envolvidas no processo.

Documentos analisados pelos jornalistas indicam que US$ 81 milhões foram destinados ou previstos para governos signatários dos acordos. Mais de US$ 178 milhões seriam destinados à Organização Internacional para as Migrações (OIM), enquanto US$ 123 milhões foram previstos para o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

A participação das organizações internacionais ocorre de maneira diferente conforme cada operação. O ACNUR informou que não é parte dos acordos bilaterais firmados pelos Estados Unidos e que os recursos recebidos são utilizados de acordo com seu mandato para fortalecer sistemas de proteção e assistência.

A OIM, por sua vez, afirmou à investigação que avalia seu envolvimento considerando se a atuação pode melhorar as condições de vida dos migrantes afetados.

Os dados mostram que o México concentrou a maior parte das transferências. Aproximadamente 20 mil pessoas foram enviadas para o país desde o início da política. Outras milhares foram encaminhadas para diferentes países que aceitaram receber cidadãos de nacionalidades que não possuem relação direta com seus territórios.

Os acordos também estabelecem regras específicas para cada grupo. Em alguns casos, os países definem quais nacionalidades podem ser aceitas e se pessoas com antecedentes criminais podem ser transferidas.

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