Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 22 de setembro de 2026
A oferta de canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS), anunciada pelo governo federal, ainda depende de etapas regulatórias, definição do público que terá acesso aos medicamentos, avaliação de custos e organização da compra e distribuição. Por isso, apesar do anúncio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a disponibilização dos medicamentos na rede pública deverá levar meses.
Os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, que inclui princípios ativos como semaglutida e liraglutida, ainda não são fornecidos de forma ampla pelo SUS para o tratamento da obesidade. Para que uma tecnologia seja incorporada ao sistema público, é necessário seguir o processo de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
Segundo o Ministério da Saúde, a Conitec avalia aspectos como eficácia, segurança, custo-efetividade e impacto orçamentário. Depois da análise, cabe ao Ministério da Saúde tomar a decisão final sobre a incorporação. A existência de registro do medicamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), portanto, não significa automaticamente que ele será oferecido pelo SUS.
O processo ganhou novas condições em 2026 com a chegada de medicamentos à base de semaglutida produzidos por empresas brasileiras. Em julho, a Anvisa aprovou cinco novos medicamentos com esse princípio ativo. A agência informou que a medida poderia ampliar a concorrência e contribuir para a redução dos preços.
Em agosto, a Anvisa também aprovou dois novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida destinados ao tratamento do diabetes tipo 2. Os produtos foram registrados pela EMS e pela Germed e passaram a integrar o conjunto de opções disponíveis no mercado brasileiro.
A ampliação da oferta é considerada relevante para o debate sobre a incorporação ao SUS porque o custo dos medicamentos é um dos fatores analisados no processo. Antes da entrada de versões concorrentes, o preço elevado dos tratamentos foi um dos obstáculos apontados nas avaliações anteriores.
Em 2025, pedidos para incorporação de medicamentos utilizados no tratamento da obesidade foram avaliados pela Conitec e não foram aprovados. Entre os argumentos considerados pelo Ministério da Saúde estava o impacto orçamentário, que poderia superar R$ 8 bilhões em uma utilização mais ampla.
Uma nova solicitação de incorporação da semaglutida foi apresentada à Conitec em 2026, com uma proposta mais restrita de público. A fabricante Novo Nordisk reduziu o grupo inicialmente previsto e ofereceu desconto sobre o valor de referência. A proposta considera pacientes com obesidade grave e determinadas condições de saúde.
O Ministério da Saúde também iniciou um projeto-piloto no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, para acompanhar o uso de medicamentos da classe GLP-1 em pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças. Cerca de 250 pessoas participam da iniciativa, que envolve pacientes com indicação para cirurgia bariátrica.
A expectativa da pasta é utilizar os resultados desse acompanhamento para avaliar como o tratamento poderia ser implementado no SUS e qual seria seu impacto financeiro. Os primeiros resultados do estudo são esperados para 2027.
A existência do projeto-piloto é um dos fatores que ajudam a explicar por que a oferta nacional das canetas não deve ocorrer imediatamente. Além da avaliação da tecnologia, o governo precisa definir os critérios de elegibilidade, os protocolos médicos, a quantidade de pacientes atendidos, os preços de aquisição e a logística de distribuição.
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