Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 22 de setembro de 2026
Bancos estrangeiros e investidores internacionais passaram a adotar uma postura mais cautelosa em relação aos ativos brasileiros à medida que as eleições de 2026 se aproximam. O cenário eleitoral começa a ser incorporado às decisões de investimento, especialmente nos mercados de câmbio e de juros, enquanto instituições financeiras acompanham também a situação fiscal do país e as perspectivas para a economia após a votação.
A cautela ocorre depois de um período de forte entrada de recursos estrangeiros no mercado brasileiro. Dados da B3 mostram que o fluxo de capital externo perdeu força ao longo do segundo trimestre. Em maio, houve saída líquida de R$ 14,9 bilhões, enquanto junho registrou retirada de R$ 7,8 bilhões. O movimento representa uma mudança em relação ao início do ano, quando o ingresso de recursos ajudou a sustentar o desempenho dos ativos brasileiros.
Entre os bancos internacionais que passaram a chamar atenção para o cenário eleitoral está o Citi. A instituição retirou o real de sua cesta de moedas utilizadas em operações de carry trade e passou a considerar o rand sul-africano como alternativa. O movimento ocorreu em um momento em que investidores começaram a considerar com maior intensidade os riscos associados ao calendário eleitoral brasileiro.
O mercado também acompanha o comportamento do dólar e dos juros futuros, que podem reagir às expectativas em relação à condução da política econômica a partir de 2027. A avaliação dos bancos não se restringe ao resultado da eleição presidencial, mas envolve também as propostas econômicas apresentadas pelos candidatos, a composição do Congresso Nacional e a capacidade do próximo governo de avançar em medidas fiscais.
Relatórios e manifestações de instituições financeiras também apontam que o cenário eleitoral pode aumentar a volatilidade dos ativos brasileiros nos próximos meses. O comportamento do câmbio, em particular, é influenciado tanto pelos fatores externos quanto pelas expectativas domésticas em relação às contas públicas e à política econômica.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continua sendo um dos fatores considerados pelos investidores estrangeiros. A taxa básica brasileira permanece em patamar elevado, o que tende a aumentar a atratividade de aplicações em reais. Ao mesmo tempo, porém, o risco de oscilações cambiais e as incertezas relacionadas ao cenário político podem reduzir o interesse por determinadas posições.
Além do câmbio, a Bolsa brasileira também passou a refletir parte dessa cautela. Empresas mais sensíveis aos juros e às condições econômicas podem apresentar maior volatilidade conforme o mercado atualiza suas expectativas.
Executivos de grandes bancos brasileiros também vêm mencionando o calendário eleitoral como um fator adicional de incerteza. Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BTG Pactual apontaram, em apresentações recentes, que a eleição deverá influenciar as condições financeiras e as decisões de empresas e investidores.
O cenário ocorre ainda em meio a juros elevados, endividamento das famílias e discussões sobre a trajetória das contas públicas. Para o mercado financeiro, a política fiscal do próximo governo será um dos pontos acompanhados após a eleição, especialmente diante da necessidade de conciliar despesas públicas, arrecadação e trajetória da dívida.
A cautela dos bancos estrangeiros, portanto, não significa necessariamente retirada generalizada de recursos do país. Os fluxos de capital podem variar de acordo com o comportamento dos mercados internacionais, das taxas de juros e das expectativas sobre o resultado e as propostas econômicas que estarão em disputa.
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