Quarta-feira, 29 de julho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 29 de julho de 2026
O golpe do falso advogado, divulgado em diversas reportagens pelo Jornal O Sul para alertar os seus leitores e evitar prejuízos, segue sendo aplicado no RS e em outros Estados brasileiros.
O advogado Marcelo Paiva Golgo informou que, na última sexta-feira (24), o seu pai, Antônio Carlos Nunes Golgo, de 75 anos, recebeu uma mensagem no WhatsApp de um perfil falso de uma advogada informando que o idoso teria vencido um processo judicial.
Marcelo relatou ao Jornal O Sul que na mensagem constava um alvará judicial totalmente forjado, com timbre do TJRS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul), Brasão da República e selo do STJ (Superior Tribunal de Justiça) – Corte que sequer tem relação com o feito — autorizando falsamente o levantamento de R$ 5 mil.
“A realidade dos autos (processo nº 5225140-65.2024.8.21.0001/RS): o processo foi extinto sem resolução de mérito em 14/05/2026, e a Secretaria da Vara confirmou que nenhum alvará foi expedido”, afirmou Marcelo.
“O caso segue exatamente o modus operandi já amplamente noticiado por O Sul: criminosos monitoram sistemas judiciais em busca de processos com liberação de valores pendentes, coletam dados das partes (nomes, CPFs, números de processos) e entram em contato via WhatsApp, apresentando-se como falsos advogados e enviando documentos falsificados com timbres do Poder Judiciário”, ressaltou o advogado.
“Conforme O Sul já noticiou, o TJRS promove campanhas informativas sobre o golpe, a OAB/RS atua em múltiplas frentes, e o caso já resultou em operações policiais com prisões em outros Estados”, prosseguiu.
De acordo com ele, após a tentativa de golpe contra o seu pai, foi feito um boletim de ocorrência na Polícia Civil, comunicação oficial ao Tribunal de Justiça (Corregedoria e Ouvidoria) e notícia-crime ao Ministério Público.
Saiba mais sobre o golpe
Essas fraudes são, em geral, praticadas por estelionatários que se passam por advogados ou escritórios de advocacia. Eles enviam notificações judiciais fraudulentas, frequentemente por WhatsApp, mas também por e-mail ou telefone, tentando induzir as vítimas ao erro.
As mensagens anunciam a disponibilidade de valores a serem pagos e, em seguida, solicitam depósitos (geralmente via Pix) sob a alegação de que seriam taxas ou custas necessárias para o resgate de indenizações ou precatórios.
Na prática, os golpistas utilizam indevidamente nomes de advogados ou servidores da Justiça e dados de processos em andamento, acessíveis na internet. Embora os dados de precatórios, por exemplo, sejam públicos, informações confidenciais provavelmente são obtidas por meio de vazamentos.
O uso de logotipos de escritórios de advocacia e até do brasão do TJRS, junto com uma linguagem técnica, convence muitas vítimas, incluindo idosos e servidores públicos, de que se trata de uma comunicação legítima.
É fundamental que tanto os escritórios de advocacia quanto as vítimas registrem ocorrências policiais ao se depararem com essas mensagens. As vítimas devem verificar a autenticidade das comunicações, retornando o contato apenas pelos canais oficiais dos escritórios, evitando ligar para os números fornecidos nas mensagens suspeitas.
Para alertar a população sobre esse golpe, em fevereiro, a OAB/RS (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Rio Grande do Sul), lançou, em parceria com a Polícia Civil, a campanha “A Melhor Proteção é a Informação”. Segundo a entidade, a iniciativa traz ações que visam conscientizar e educar a sociedade, somando-se às iniciativas de repressão já propostas e em execução. (Marcelo Warth)
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