Sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Voltar Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo se entrega à polícia

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) se entregou à polícia na tarde desta sexta-feira (18), um dia após ser alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta. A ação investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista. Leite se apresentou na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A informação foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo.

A operação foi deflagrada na quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Ao todo, foram expedidos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em municípios como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. A investigação apura lavagem de dinheiro e a possível atuação do PCC em empresas do transporte coletivo.

Na quinta-feira (17), Leite não havia sido localizado. Por meio de sua assessoria, afirmou que estava viajando e que se apresentaria às autoridades em até 24 horas. Ele também negou estar foragido e declarou que pretendia provar sua inocência.

O prazo terminou sem que o ex-vereador se apresentasse. Na manhã desta sexta-feira (18), policiais civis foram até um endereço em Sorocaba, no interior paulista, relacionado a um ex-assessor de Leite, em uma tentativa de localizá-lo. Ele não foi encontrado no imóvel. Segundo informações divulgadas pela imprensa, os agentes apreenderam dinheiro em espécie no local.

Horas depois, Leite foi até a Dise de Mogi das Cruzes acompanhado de um advogado. A prisão temporária foi decretada no âmbito da Vectura Corrupta, que é um desdobramento de investigações anteriores sobre a atuação do PCC no transporte público de São Paulo.

As investigações apontam suspeitas de que empresas de ônibus tenham sido utilizadas para lavagem de dinheiro e para ampliar a influência da organização criminosa no setor. Segundo informações apresentadas pelo Ministério Público, a apuração identificou possíveis vínculos do PCC com 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital paulista.

Milton Leite é citado pelos investigadores em relação à Transwolff, empresa que já havia sido alvo de intervenção da Prefeitura de São Paulo em 2024 por suspeitas relacionadas ao crime organizado. A investigação atual apura se o ex-vereador seria o proprietário de fato da empresa. Leite nega qualquer participação na Transwolff e também rejeita qualquer ligação com o PCC.

A Operação Vectura Corrupta é a terceira fase de uma investigação sobre a presença do PCC no sistema de transporte coletivo paulistano. Segundo a Agência Brasil, a apuração envolve também suspeitas relacionadas à participação de políticos e advogados na estrutura investigada.

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