Quinta-feira, 16 de julho de 2026

Quinta-feira, 16 de julho de 2026

Voltar Ex-ministro de Bolsonaro vira pedra no sapato na direita

O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo-SP) passou a ocupar posição de destaque nas articulações da direita para as eleições presidenciais de 2026 e tem se consolidado como um dos principais focos de tensão entre lideranças do campo conservador. Cotado para disputar o governo de São Paulo ou integrar uma chapa majoritária, Salles também é apontado por aliados como um possível obstáculo aos planos de outros pré-candidatos do mesmo espectro político.

A movimentação ganhou força nas últimas semanas, à medida que partidos e lideranças da direita intensificaram as negociações para definir alianças e candidaturas. Embora mantenha proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Ricardo Salles também busca ampliar seu espaço político junto a outros setores do eleitorado conservador, o que tem provocado resistência entre aliados de diferentes grupos.

Nos bastidores, integrantes da direita avaliam que Salles se tornou uma “pedra no sapato” de outras lideranças por disputar o mesmo espaço político e adotar uma postura independente nas negociações eleitorais. O ex-ministro tem defendido que a direita construa um projeto competitivo para 2026, mas sem abrir mão de protagonismo nas definições sobre candidaturas e alianças.

Aliados de possíveis candidatos à Presidência afirmam que a atuação de Salles dificulta a construção de consensos, especialmente em relação às disputas estaduais. Em São Paulo, seu nome aparece entre as alternativas para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes, cenário que pode alterar os planos de outras siglas e lideranças que também pretendem disputar o governo paulista.

Ricardo Salles integrou o governo Jair Bolsonaro entre janeiro de 2019 e junho de 2021, período em que comandou o Ministério do Meio Ambiente. Desde então, manteve presença ativa no debate político, sendo eleito deputado federal por São Paulo em 2022. Nos últimos meses, intensificou viagens, encontros com lideranças conservadoras e manifestações públicas em defesa da unificação da direita para as eleições do próximo ano.

Apesar do discurso de unidade, interlocutores do campo conservador afirmam que a crescente influência de Salles tem provocado divergências internas. Parte das lideranças considera que sua postura mais assertiva amplia as dificuldades para a definição de uma estratégia comum, enquanto aliados do deputado sustentam que sua atuação fortalece a direita ao ampliar as opções de representação do eleitorado conservador.

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