Segunda-feira, 25 de maio de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 25 de maio de 2026
Em onze semanas consecutivas de alta, a projeção para a inflação deste ano chegou a 5,04% no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (25). Antes do agravamento da guerra no Oriente Médio, a estimativa estava em 3,91%, abaixo do teto da meta de inflação, de 4,5%. Na próxima quarta-feira (27), o IBGE divulgará o IPCA-15 de maio, considerado uma prévia da inflação oficial. A mediana das projeções do mercado aponta para alta de 0,57% no mês, levando o acumulado em 12 meses para 4,58%, acima do limite estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2027, houve leve elevação da projeção do IPCA, de 4% para 4,01%.
O avanço das expectativas inflacionárias é considerado simbólico por economistas, pois reforça a percepção de que o cenário global se deteriorou nas últimas semanas. Grande parte dessa pressão vem do conflito no Oriente Médio, que ampliou a volatilidade nos mercados internacionais, elevou o preço do petróleo e trouxe novas incertezas sobre o comércio mundial e os custos de produção. Além disso, o temor de interrupções na cadeia de suprimentos e de alta nos combustíveis contribui para aumentar as expectativas de inflação em diversos países.
Outro fator que pesa nas projeções é a influência do fenômeno climático El Niño, que pode afetar a produção agrícola e pressionar os preços dos alimentos ao longo do ano. A combinação entre tensões geopolíticas e eventos climáticos extremos levou analistas de diferentes instituições financeiras a revisarem para cima as estimativas de inflação no Brasil e no exterior.
Apesar das onze semanas seguidas de deterioração nas expectativas, economistas avaliam que o cenário ainda pode melhorar no segundo semestre caso haja uma redução das tensões entre Estados Unidos e Irã. Quanto mais rápido ocorrer um eventual acordo ou cessar-fogo, maior tende a ser o alívio nos preços internacionais de energia e commodities, abrindo espaço para revisões baixistas da inflação e para uma melhora do ambiente econômico global.
Os analistas ouvidos pelo Banco Central elevaram também a estimativa para o crescimento da economia brasileira neste ano, de 1,85% para 1,89%. Para 2027, porém, a expectativa foi reduzida de 1,77% para 1,70%, refletindo um ambiente de juros elevados por mais tempo. Os dados oficiais do PIB do primeiro trimestre serão divulgados nesta sexta-feira. A consultoria MB Associados projeta crescimento de 1,2% no trimestre e de 1,1% na comparação anual. Já a 4Intelligence estima alta de 1,1% no trimestre e avanço de 1,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
A expectativa para a taxa Selic ao fim de 2026 foi mantida em 13,25%. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, parte do mercado trabalhava com a possibilidade de os juros encerrarem o ano em torno de 12%. O novo cenário reforça a percepção de que o Banco Central deverá promover um ciclo de corte de juros mais curto e menos intenso, diante da persistência das pressões inflacionárias.
Já a cotação do dólar foi revisada para baixo, passando de R$ 5,20 para R$ 5,17. O movimento acompanha o enfraquecimento global da moeda norte-americana, tendência observada em diversos mercados emergentes. No Brasil, porém, a valorização do real tem sido mais intensa, impulsionada pela entrada de capital estrangeiro e pelos juros elevados, que seguem atraindo investidores para ativos brasileiros.
(Com O Globo)
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