Sexta-feira, 14 de agosto de 2026

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Voltar Com investimento de R$ 95 milhões, nova usina de biometano em São Leopoldo marca avanço do RS na transição energética

Unidade da CRVR reforça a economia circular e consolida o Rio Grande do Sul como referência nacional na produção de energia limpa.

O Rio Grande do Sul deu mais um passo decisivo na transição energética com a inauguração da segunda usina de biometano a partir de aterro sanitário no estado. A planta, instalada na Unidade de Valorização Sustentável da CRVR em São Leopoldo, recebeu investimento de R$ 95 milhões e terá capacidade para produzir 34 mil Nm³/dia de combustível renovável.

A cerimônia realizada nesta quinta-feira (13) reuniu autoridades e representantes do setor produtivo. O governador Eduardo Leite destacou que o projeto fortalece a matriz energética gaúcha e contribui para um modelo mais sustentável. “A produção de biometano ajuda o estado a ter uma fonte de energia segura e fundamental para o nosso desenvolvimento econômico. No total das plantas de biometano, o estado pode produzir aqui mais de 10% da sua demanda de gás. Celebramos um duplo benefício. Por um lado, a energia que é gerada. Por outro lado, um melhor destino para resíduos, reduzindo a emissão de carbono e metano na atmosfera”, afirmou.

O diretor-presidente da CRVR, Leomyr Girondi, ressaltou que a iniciativa transforma passivos ambientais em ativos econômicos. “Sempre teremos, inerente à atividade humana, e especialmente nas grandes cidades, uma geração de resíduos orgânicos, e estamos transformando esse passivo em um ativo ambiental. É um gás de fonte renovável que substitui os gases de origem fóssil com grandes vantagens e é produzido aqui, gerando empregos e tributos no nosso estado”, disse.

Já o diretor da Biometano São Leopoldo, Rafael Salamoni, enfatizou que o projeto marca um salto estratégico. “Hoje, com esta planta, atingimos um grande marco que é produzir 100.000 metros cúbicos de biometano por dia e queremos alcançar mais de 200.000 com a expansão desses projetos para todo o Estado e, com isso, atender até 10% do volume de gás que o Rio Grande do Sul consome. É um projeto que é muito importante para a economia circular, para a descarbonização, para a geração de emprego e, principalmente, para a sustentabilidade do nosso estado.”

Produzido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos em aterro sanitário, o biometano é considerado um combustível versátil e estratégico. Com teor superior a 95% de metano após o processo de purificação, pode substituir gás natural e diesel, reduzindo em até 99% as emissões de gases de efeito estufa. Por ser gerado continuamente, não depende de condições climáticas, garantindo estabilidade de oferta ao longo do ano e fortalecendo a segurança energética.

A unidade da CRVR em São Leopoldo recebe resíduos de cerca de 58 municípios e conta com a primeira planta de triagem semimecanizada do Rio Grande do Sul, capaz de processar 15 toneladas de resíduos por hora. Essa estrutura permite recuperar materiais recicláveis que retornam à cadeia produtiva, reduzindo o volume destinado ao aterro e fortalecendo a economia circular. O complexo também abriga uma planta da Biotérmica, responsável pela geração de energia elétrica a partir do biogás captado no aterro, com capacidade de 1 MWh. A energia gerada será utilizada para alimentar a própria planta de biometano, tornando o processo ainda mais sustentável.

A nova usina é a segunda operação de biometano implantada pela CRVR no estado. A primeira foi inaugurada em Minas do Leão, em setembro do ano passado. Juntas, as unidades possuem capacidade produtiva de 100 mil Nm³/dia. A iniciativa integra a estratégia do Grupo Solví, controlador da CRVR, e reforça o compromisso com a transformação de resíduos urbanos em energia limpa. A escolha de São Leopoldo leva em conta o potencial estratégico da região, que abriga um polo industrial relevante, ampliando as possibilidades de uso do biometano em larga escala.

Além de atender à demanda industrial e comercial, com fornecimento para empresas como a Ultragaz, o projeto contribui para reduzir a dependência externa de combustíveis fósseis e para estabilizar preços em um mercado marcado pela volatilidade. O impacto ambiental também é expressivo: ao converter resíduos em energia, o estado reduz emissões de carbono e metano, fortalece a economia circular e cria um modelo energético mais resiliente e de baixo carbono.(por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br

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