Quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 13 de agosto de 2026
A Casa Branca incluiu o Brasil em uma lista de países considerados de alto risco para operações de triangulação de mercadorias chinesas, prática conhecida como “transshipment”. A informação consta em relatório divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Escritório de Política Comercial e Industrial da Casa Branca, ligado ao assessor comercial Peter Navarro.
Segundo o documento, mais de 40 países apresentam risco elevado de serem utilizados para o redirecionamento de produtos chineses aos Estados Unidos com o objetivo de evitar tarifas de importação e outras medidas comerciais.
O Brasil aparece no Nível 2 da classificação, que reúne países com volumes significativos de triangulação e maior integração com cadeias de fornecimento, plataformas industriais, sistemas logísticos ou rotas relacionadas à China. Também estão nessa categoria Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã.
De acordo com o relatório, Brasil e Turquia funcionam como plataformas regionais de produção e logística, com capacidade para atender a operações de redirecionamento ou transformação de determinadas categorias de produtos.
O documento afirma que países como Vietnã, Tailândia, Malásia e Indonésia estão fortemente integrados às redes industriais próximas à China e são utilizados na fabricação de eletrônicos, máquinas, plásticos, calçados, roupas, componentes e outros produtos que incorporam insumos chineses.
A Casa Branca afirma que mercadorias podem passar por terceiros países antes de chegar ao mercado norte-americano para dificultar a identificação da origem e evitar tarifas. A empresa Exiger, especializada em cadeias de suprimentos, estimou que cerca de US$ 75 bilhões em mercadorias tenham sido ilegalmente triangulados entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026. A prática teria provocado uma perda de receitas tarifárias entre US$ 19 bilhões e US$ 34 bilhões.
O relatório aponta que os principais países utilizados como intermediários pela China incluem México e Canadá, além de integrantes da União Europeia, Índia, Japão e Coreia do Sul.
“Isso é basicamente um aviso ao mundo: não tentem enganar os Estados Unidos”, afirmou Peter Navarro à Bloomberg Television nesta quinta-feira.
Segundo o documento, a triangulação também gera benefícios econômicos aos países utilizados como intermediários. Empresas podem receber receitas de montagem, armazenamento, logística, operações portuárias e serviços aduaneiros, enquanto os governos se beneficiam da geração de empregos, arrecadação e investimentos.
A Casa Branca também cita características que podem tornar determinados países mais vulneráveis à prática, como mão de obra barata, acesso estratégico a portos, fiscalização aduaneira considerada pouco rigorosa e zonas de livre comércio.
A preocupação de Washington está relacionada à estratégia adotada pela China para manter o acesso ao mercado norte-americano diante das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.
A prática ganhou força após Trump elevar as tarifas sobre produtos chineses durante seu primeiro mandato. Empresas passaram a diversificar suas cadeias de produção e transferir parte das operações para outros países, movimento conhecido como estratégia “China + 1”.
Após retornar à Casa Branca, Trump ampliou a política tarifária e estabeleceu alíquotas específicas para diferentes países. O relatório busca identificar rotas que, segundo o governo norte-americano, podem ser utilizadas para que produtos chineses entrem nos Estados Unidos com outra declaração de origem.
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