Sexta-feira, 15 de maio de 2026

Sexta-feira, 15 de maio de 2026

Voltar Wine South America movimenta R$ 120 milhões e consolida Brasil no vinho

Maior edição da história da feira, em Bento Gonçalves, supera expectativas, amplia presença internacional e confirma a maturidade do mercado brasileiro como eixo prioritário para negócios, investimento e posicionamento global do setor vitivinícola.

A sexta edição da Wine South America encerrou nesta quinta-feira (14), em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, com um resultado que vai além dos números: consolidou definitivamente o Brasil como um dos mercados mais estratégicos do mundo para o setor vitivinícola. Foram R$ 120 milhões em negócios gerados, crescimento de 20% em relação à edição anterior e acima das projeções iniciais da organização, em um ambiente que confirmou a forte tração comercial de um segmento que vive transformação global.

Durante três dias, mais de 7 mil visitantes profissionais — entre compradores, importadores, distribuidores, sommeliers, varejistas, investidores e produtores — circularam pelos corredores da feira, que reuniu mais de 400 marcas nacionais e internacionais e compradores de mais de 20 países. Mas o dado mais relevante talvez seja outro: a Wine South America deixou de ser apenas uma feira. Consolidou-se como plataforma estratégica de negócios, termômetro de mercado e radar internacional para o vinho latino-americano.

Organizada pela Milanez & Milaneze, braço brasileiro do Grupo Veronafiere, a WSA chega à maturidade comercial em um momento especialmente simbólico para o setor. O consumo de vinho no Brasil voltou a crescer, o tíquete médio aumentou e o consumidor sofisticou suas escolhas. O mercado internacional percebeu isso. Para Marcos Milanez, diretor da feira, os resultados comprovam esse novo estágio. “A cada edição, a WSA confirma que o Brasil é um dos mercados mais promissores quando o assunto é vinho e espumante. Ver essa movimentação de negócios em apenas três dias comprova a confiança do setor na feira como plataforma de crescimento e expansão comercial”, afirmou.

O coração desse movimento esteve nas rodadas de negócios. O Projeto Comprador, realizado em parceria com o Sebrae, promoveu mais de 2 mil reuniões entre 100 compradores de 19 estados e 150 vinícolas expositoras. Foi ali que pequenas vinícolas conversaram com grandes redes, produtores boutique encontraram distribuidores nacionais e negócios começaram — nem sempre assinados na hora, mas iniciados. É assim que o mercado se move.

Entre os compradores, o sommelier Herasmo Victo, do Grupo Pobre Juan, resumiu a percepção dominante do evento: “Estou impressionado com o tamanho do evento e a qualidade dos produtores. É uma verdadeira imersão no universo do vinho.” A percepção foi compartilhada pelos expositores. A Guatambu Estância do Vinho identificou um público mais qualificado e objetivo. “Percebemos visitantes muito focados em negócios e compras”, destacou a enóloga Amélia Leite.

A internacionalização foi outro marco. A presença italiana alcançou seu maior volume histórico: 32 empresas de 14 regiões da Itália, reunidas em um corredor exclusivo com cerca de 300 rótulos. Ao lado dela, importadores de mercados como China, Japão, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Cingapura participaram de agendas comerciais e visitas técnicas à Serra Gaúcha. O recado é claro: o Brasil deixou de ser mercado periférico. Passou a ser prioridade.

Mas a feira não se resumiu a negócios. A programação de conteúdo foi triplicada em relação à edição anterior. Painéis sobre reforma tributária, inteligência de mercado, comportamento do consumidor, e-commerce e novas tendências lotaram auditórios. No Wine Summit, um dado chamou atenção: o consumo per capita brasileiro voltou ao patamar de 3 litros por ano, enquanto o segmento de espumantes segue em expansão.

Outro destaque foi a estreia do Cozinha Show, projeto que aproximou gastronomia e vinho dentro da programação. Comandado pelo chef Carlos Bertolazzi, o espaço reforçou um movimento irreversível: vinho deixou de ser apenas produto; tornou-se experiência, estilo de vida e narrativa.

Ao encerrar sua maior edição, a Wine South America confirma algo que há poucos anos parecia improvável: o Brasil não é mais apenas um país consumidor em ascensão. É protagonista. E Bento Gonçalves, por três dias, voltou a ser o lugar onde o futuro do vinho latino-americano foi discutido, degustado — e negociado.

Mais do que celebrar resultados imediatos, a edição de 2026 deixa um legado institucional: reposiciona o Brasil no mapa do vinho e reforça Bento Gonçalves como capital latino-americana dos encontros do setor. Entre taças, contratos e novas conexões, a mensagem que sai da Serra é inequívoca: o mercado brasileiro amadureceu, ganhou escala e passou a ser visto, definitivamente, como território de oportunidade, valor agregado e futuro para a indústria vitivinícola mundial. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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