Quarta-feira, 13 de maio de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 12 de maio de 2026

Maior feira profissional de vinhos da América Latina reúne mais de 400 marcas, projeta R$ 110 milhões em negócios e reafirma a Serra Gaúcha como centro estratégico do vinho brasileiro no cenário internacional.
Entre vinhedos, negócios e taças erguidas, Bento Gonçalves volta a ocupar, nesta semana, o centro do mapa vitivinícola latino-americano. A abertura da Wine South America confirma não apenas o crescimento de um evento — consolida a transformação do vinho brasileiro em um setor mais sofisticado, competitivo e definitivamente mais global.
A sexta edição da maior feira profissional de vinhos da América Latina começou oficialmente em um momento particularmente favorável para o setor. São mais de 400 marcas expositoras, rótulos de mais de 20 países, cerca de 7 mil compradores e especialistas e uma expectativa de R$ 110 milhões em negócios ao longo dos três dias de programação — crescimento estimado entre 10% e 15% em relação à edição anterior.
Mas os números, embora expressivos, contam apenas parte da história.
O que se vê nos corredores da feira é um mercado em amadurecimento. Um setor que deixou de falar apenas em produção para discutir marca, posicionamento, experiência e identidade. É a chamada premiumização.
Em 2025, o mercado brasileiro de vinhos e espumantes movimentou R$ 21,1 bilhões, avanço de quase 10% sobre o ano anterior, impulsionado não apenas por volume, mas pelo aumento do tíquete médio e pela valorização de rótulos de maior qualidade.
Traduzindo: o brasileiro está bebendo melhor.
E isso muda toda a cadeia.
No palco do Wine Summit, um dos fóruns centrais da programação, Eduardo Valduga resumiu essa mudança de forma direta: “Hoje existe uma preocupação muito maior com terroir, técnica e posicionamento de mercado.”
A frase ecoa o novo momento do setor.
Se antes o desafio era formar consumidores, hoje o objetivo é construir reputação.
O presidente da Uvibra, Jones Valduga, reforçou essa percepção ao destacar o peso simbólico de realizar uma feira dessa dimensão na Serra Gaúcha.
“O Rio Grande do Sul ainda concentra 80% da produção vinícola nacional, e trazer um evento desta magnitude para a capital do vinho valoriza não só o produto local, mas também o enoturismo e o esforço de empreendedores gaúchos e brasileiros que trabalham para elevar a qualidade do setor. A WSA é o lugar onde micro, pequenos, médios e grandes produtores podem mostrar seus diferenciais de terroir lado a lado, compartilhando o mercado com produtores internacionais de igual para igual. Isso é o que nos coloca em outro patamar”, afirmou.
A declaração sintetiza uma das grandes forças da Wine South America: ela é feira de negócios, mas também ferramenta de posicionamento territorial.
Ao colocar Bento Gonçalves no radar internacional, fortalece a cadeia do vinho e impulsiona um ecossistema inteiro — turismo, hotelaria, gastronomia e serviços — consolidado em torno da cultura vitivinícola da Serra.
Mas a edição de 2026 também mostra que o mapa do vinho brasileiro mudou.
Se durante décadas a narrativa esteve concentrada quase exclusivamente no Sul, hoje ela se expande.
São mais de 280 marcas nacionais, vindas de nove estados brasileiros.
Do Vale do São Francisco, onde o semiárido permite colheitas em diferentes épocas do ano, ao Cerrado Brasileiro, que começa a consolidar vinhos de altitude tropical, a feira revela uma nova geografia produtiva.
O vinho brasileiro ficou mais diverso.
E, por isso mesmo, mais competitivo.
O cenário internacional acompanha esse movimento.
Alemanha e Nova Zelândia estreiam no evento.
Itália e Portugal praticamente dobraram presença.
A participação italiana chama atenção: 32 empresas de 14 regiões, reunindo desde pequenas vinícolas artesanais até grandes cooperativas.
O principal motor da Wine South America, porém, continua sendo o negócio direto.
Mais de 2 mil reuniões comerciais estão previstas, impulsionadas especialmente pelo Projeto Comprador, iniciativa do Sebrae que conecta 100 compradores de 19 estados a 150 vinícolas expositoras.
Para Jackson da Luz, esse formato tem papel estratégico: “O grande benefício é justamente para as pequenas vinícolas, que teriam muita dificuldade de se conectar com esses compradores individualmente. Nem sempre o negócio se fecha aqui, mas esse primeiro contato gera resultados que podem se concretizar nos meses seguintes.”
A lógica é quase enológica: assim como um grande vinho, bons negócios também precisam de tempo.
Outro diferencial desta edição é a programação de conteúdo, triplicada em relação ao ano passado.
Painéis, workshops e Wine Talks discutem consumo, varejo, digitalização e tendências internacionais.
Dados apresentados pela Ideal BI mostram que o consumo per capita no Brasil voltou a 3 litros por ano, crescimento de 35% em uma década.
Nos espumantes, o país atingiu novo recorde: 4,5 milhões de caixas.
Outro dado simbólico: 57% do público consumidor da categoria é feminino.
O mercado mudou.
E a feira reflete essa mudança com precisão.
Organizada pela Milanez & Milaneze, subsidiária da italiana Veronafiere, a Wine South America chega à sexta edição consolidada não apenas como vitrine comercial.
Mas como plataforma estratégica.
Mais do que apresentar rótulos, conecta terroirs, abre mercados e fortalece marcas.
E ajuda a contar uma nova história sobre o vinho brasileiro: uma história em que o país já não quer apenas beber melhor. Quer competir — e ser reconhecido — entre os melhores. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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