Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 30 de setembro de 2026
O Brasil informou a autoridades da França e da Alemanha sobre uma suposta interferência dos Estados Unidos e da Rússia nas eleições brasileiras. O alerta foi feito por integrantes da Abin, o serviço secreto brasileiro, durante uma reunião em Brasília com uma delegação dos dois países, segundo fontes e documentos obtidos pela Reuters.
A delegação francesa e alemã esteve no Brasil entre os dias 9 e 11 de setembro. De acordo com um relatório elaborado por um dos participantes do encontro, representantes da Abin afirmaram que havia interferência tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia no processo eleitoral brasileiro.
Segundo o documento, os integrantes da inteligência brasileira disseram que a suposta interferência norte-americana iria “de ações judiciais até interferência abertamente reconhecida”. Não foram apresentados detalhes sobre a alegada atuação russa.
A reunião ocorreu poucos dias antes do primeiro turno da eleição brasileira, marcado para domingo. O pleito é disputado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A possibilidade de interferência dos EUA em favor de Flávio Bolsonaro vinha sendo mencionada durante a campanha. Lula declarou que havia alertado o presidente americano, Donald Trump, para que não interferisse na eleição brasileira.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos não respondeu ao pedido de comentário feito pela Reuters. O governo americano já havia negado anteriormente qualquer tentativa de interferir nas eleições brasileiras. A Abin e a Embaixada da Rússia no Brasil também não responderam às solicitações de comentário. Moscou já negou interferência em eleições de outros países.
Delegação europeia
A visita dos representantes franceses e alemães fazia parte de uma delegação da União Europeia enviada ao Brasil para discutir a implementação da DSA (Lei de Serviços Digitais), legislação do bloco que estabelece regras para plataformas digitais e exige medidas contra conteúdos ilegais e considerados prejudiciais.
Segundo um documento visto pela Reuters, entre os objetivos da viagem estava a preparação de “respostas coordenadas antes das eleições de 2026”.
Pela França, participaram representantes da Viginum, agência responsável pela detecção de campanhas estrangeiras de desinformação, e da Arcom, órgão regulador de mídia e comunicações. A delegação alemã contou com integrantes da Agência Federal de Redes, responsável pela regulação de setores como telecomunicações, energia, ferrovias e serviços postais.
A Arcom confirmou que um de seus representantes participou da visita, assim como a Viginum. A Agência Federal de Redes da Alemanha pontuou que uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições alemãs não foi discutida durante a reunião.
O DSA é alvo de críticas do governo dos Estados Unidos, que afirma que as regras atingem de forma injusta empresas americanas de tecnologia. A passagem da delegação europeia pelo Brasil, portanto, incluiu discussões sobre a aplicação da legislação e sobre medidas relacionadas ao processo eleitoral.
Preocupação com atuação dos EUA
A atuação do governo Trump em apoio a candidatos alinhados ao movimento MAGA (Make Great America Again) tem provocado discussões sobre os limites entre apoio político externo e interferência eleitoral. Segundo a Reuters, os Estados Unidos passaram a apoiar abertamente candidatos ideologicamente alinhados ao governo americano em diferentes países da Europa e da América Latina.
Na França, autoridades têm rejeitado publicamente qualquer interferência dos EUA na política doméstica. Representantes franceses ouvidos pela Reuters avaliam, em caráter privado, que o que ocorre no Brasil pode servir de alerta para a eleição presidencial francesa do próximo ano.
Na Alemanha, autoridades têm criticado regularmente o apoio do governo Trump ao partido AfD (Alternativa para a Alemanha). A legenda de direita radical foi a mais votada em eleições realizadas em dois estados alemães no mês passado, de acordo com a Reuters.
Ataques cibernéticos
Um funcionário brasileiro da área de segurança cibernética que participou da reunião comentou, sob condição de anonimato, que o número de ataques cibernéticos no Brasil quase dobrou em comparação com 2025.
Conforme o funcionário, houve ainda um aumento expressivo de invasões e tentativas de phishing contra o escritório do presidente. Ele classificou essas ações como claramente “relacionadas às eleições”. (Com informações da CNN)
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.