Segunda-feira, 22 de julho de 2024

Segunda-feira, 22 de julho de 2024

Voltar Salto vertiginoso em 2023: carros elétricos chineses dominam mercado no Brasil

As marcas chinesas estão acelerando a eletrificação da frota no Brasil. Com uma estratégia que mescla preços mais atraentes — a partir de R$ 150 mil — e veículos com maior autonomia, além de muita tecnologia embarcada, os carros chineses já representam 35% do total de elétricos importados no País. E, em 2024, a presença destas empresas por aqui vai aumentar.

No próximo ano, duas novas marcas chinesas de carros elétricos — a Omoda e a Jaecoo, que pertencem ao grupo Chery International — desembarcam no Brasil em operação conjunta. Elas vão lançar três modelos.

Embora ainda não se saiba o preço, a expectativa é que sejam competitivos. Em 2024 e no início de 2025, devem começar a sair das fábricas da GWM, em Iracemópolis, interior de São Paulo, e da BYD, em Camaçari, na Bahia, respectivamente, os primeiros veículos eletrificados produzidos por essas marcas no País.

“Eram 0,4% (dos importados) em 2021 e 8% no ano passado. Este ano, o percentual de importados da China deve chegar a 35%, o que significa que um terço dos carros eletrificados do país é comprado dos chineses. Com o início da produção nacional da BYD e da GWM, o impacto será ainda maior”, diz Murilo Briganti, sócio da consultoria Bright Consulting, especializada no setor automotivo, citando que as marcas chinesas já dominam o mercado.

Dados da Associação Brasileira de Veículo Elétrico (ABVE) confirmam essa avaliação. A entidade ressalta que Toyota e Caoa já produzem aqui e têm fatia relevante das vendas. Mas, na importação, até novembro, são 36% de importados chineses.

Projeção

Projeção feita pela Bright Consulting mostra que até 2030, os veículos eletrificados (híbridos e plug in) representarão 10% da frota brasileira, mesmo com a volta do Imposto de Importação sobre elétricos (que subirá gradativamente a partir de janeiro, quando começa em 12%, chegando a 35% em julho de 2026). Atualmente, esses veículos representam cerca de 0,5% da frota nacional. E os chineses terão impacto grande neste salto.

A Omoda Jaecoo anunciou a chegada de um veículo Omoda e dois Jaecoo no próximo ano. O primeiro a chegar será o Omoda 5, um SUV em duas versões de motorização, sendo uma híbrida leve e outra totalmente elétrica. A versão topo de linha, 100% elétrica, chega ao mercado brasileiro primeiro. Na sequência, a motorização híbrida leve será lançada em duas diferentes versões.

Os preços serão compatíveis com os segmentos em que atuarão, diz a marca. SUVs totalmente elétricos de rivais custam entre R$ 230 mil e R$ 250 mil no mercado brasileiro. Em outubro, o CEO da companhia, Shawn Xu, disse que a empresa tem intenção de produzir no Brasil e que estuda a melhor oportunidade de mercado. Por questões estratégicas, a empresa não divulga o valor do investimento no país.

Briganti, da Bright Consulting, observa que os veículos chineses eletrificados atualmente já oferecem autonomia de mais de 200km. Há alguns anos, a autonomia era de 40km, 50km. Ele lembra que, com margens mais reduzidas para ganhar mercado, a BYD, por exemplo, trouxe ao Brasil o Dolphin, com preço a partir de R$ 150 mil e autonomia anunciada de 291km.

A bateria pode ser recarregada com um adaptador em uma tomada comum de 127V ou 220V. O veículo traz tecnologias como tela de 12,8 polegadas, com rotação elétrica para posição vertical e horizontal, e até karaokê. É possível usar o comando de voz para que o veículo ligue o Spotify, por exemplo.

As obras da fábrica da BYD (do inglês Build Your Dreams, Construa Seus Sonhos) começam em fevereiro, e ela será um espelho da unidade de Changzhou, no distrito chinês de Alta Tecnologia, onde um carro leva em média 4 horas para ser montado.

Na prática, serão três unidades na Bahia — uma de carros elétricos, uma de chassis de ônibus e a terceira de beneficiamento de lítio para fabricação de baterias. Existe a ideia de construir uma fábrica de chassis de ônibus elétricos no Pará, que sediará a 30ª conferência do clima da ONU (COP30), em 2025.

A expectativa é que a produção em Camaçari comece com dois modelos, o Dolphin e o SUV híbrido Song, chegando a 150 mil unidades por ano. Quando as exportações para países vizinhos engrenarem, a fabricação pode chegar a 300 mil unidades.

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