Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 17 de setembro de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o Brasil e outros países em relatório anual sobre produção e tráfico de drogas divulgado na última quarta-feira (16). Ao mesmo tempo, o documento elogiou mudanças recentes em países da América do Sul, como Venezuela, Bolívia e Colômbia.
O relatório, assinado por Trump e enviado ao Congresso americano pelo Departamento de Estado, apresenta um panorama da situação do tráfico de drogas no mundo e cobra medidas dos países mencionados.
No caso do Brasil, Trump afirmou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva falhou no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), recentemente classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas.
O presidente americano pediu que o governo brasileiro adote, “com urgência, medidas enérgicas para enfrentar” as duas facções. Segundo o documento, enquanto outros governos do Hemisfério Ocidental estão tomando “medidas corajosas” para erradicar cartéis, o Brasil não estaria enfrentando adequadamente os grupos criminosos.
As facções brasileiras, segundo o relatório, “transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína”.
“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas firmes para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, diz o documento.
Além do Brasil, Trump fez críticas à China, ao Canadá e ao México. A China é apontada como principal rival geopolítico dos Estados Unidos. O documento afirma que, apesar das conversas entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, sobre o combate à entrada de fentanil nos Estados Unidos, Pequim precisa reduzir o fluxo de substâncias utilizadas na produção da droga.
Em relação ao Canadá, o governo americano cobra medidas para acabar com laboratórios clandestinos de drogas. Sobre o México, a Casa Branca exige ações contra organizações classificadas como narcoterroristas que controlam territórios no país.
O documento também destaca mudanças políticas recentes na América do Sul. Segundo o relatório, alterações de governo em alguns países “criaram oportunidades históricas para a cooperação dos Estados Unidos”.
Venezuela, Bolívia e Colômbia aparecem entre os países citados de forma positiva. O relatório reconhece avanços, mas afirma que novas medidas ainda são necessárias.
Nos bastidores, diplomatas brasileiros avaliaram que o documento reforça a orientação da política externa de Trump para a América Latina. Também apontaram seletividade da Casa Branca, ao fazer acenos a governos sul-americanos alinhados aos Estados Unidos que igualmente enfrentam problemas relacionados ao combate às drogas.
O mesmo relatório lista países considerados pelos Estados Unidos locais de trânsito ou produção de drogas. O Brasil não aparece nessa relação.
A lista inclui Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Mianmar, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela.
O documento afirma ainda que, no último ano, Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia falharam em cumprir obrigações previstas em acordos internacionais de combate ao narcotráfico.
Apesar de não integrar a relação de países classificados como locais de trânsito ou produção de drogas, o Brasil foi citado na parte do relatório dedicada à avaliação das políticas de combate às organizações criminosas.
A manifestação de Trump ocorre em meio às tensões entre os governos brasileiro e americano em torno de segurança, comércio e política externa. A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos foi anunciada em junho, medida que havia sido contestada pelo governo brasileiro. (Com informações do portal g1)
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