Sábado, 09 de maio de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 8 de maio de 2026

A transição para uma economia de baixo carbono deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se consolidar como estratégia de competitividade, atração de investimentos e posicionamento econômico global. Foi exatamente essa mensagem que o Governo do Rio Grande do Sul levou à Gramado Summit nesta sexta-feira, ao apresentar os avanços da política estadual de descarbonização durante o painel “Descarbonização agora: o Estado em compromisso com a agenda climática”.
Realizado na Arena de Conteúdos RS, um dos espaços centrais de um evento que reúne milhares de empreendedores, investidores e lideranças do ecossistema de inovação, o debate posicionou a agenda climática gaúcha não apenas como política pública ambiental, mas como parte de uma nova estratégia de Estado: alinhar sustentabilidade, inovação e desenvolvimento econômico em um cenário internacional cada vez mais pressionado por metas de redução de emissões.
A escolha da Gramado Summit para essa apresentação é simbólica.
Ao levar o debate climático para dentro de uma plataforma tradicionalmente associada a tecnologia, startups, investimentos e novos negócios, o governo sinaliza uma mudança de paradigma: descarbonizar deixou de ser apenas uma obrigação regulatória e passou a ser também uma agenda de inovação, produtividade e competitividade.
Durante o painel, a secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, apresentou um dos dados mais relevantes já produzidos pela política climática estadual: o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (IEGEE) apontou uma redução de 26,8% nas emissões líquidas e de 23,1% nas emissões brutas entre 2021 e 2023 no Rio Grande do Sul.
O número é expressivo.
Mais do que um indicador técnico, ele reposiciona o Estado em um novo patamar dentro da governança climática brasileira.
Desenvolvido pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura em parceria com a ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade
e baseado na metodologia do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, referência internacional no tema, o inventário reforça a adoção de padrões globais de mensuração, transparência e credibilidade — elementos hoje decisivos para a atração de investimentos sustentáveis.
Em sua fala, Marjorie destacou que a agenda climática gaúcha deixou de ser discurso para se transformar em política estruturada.
“O Rio Grande do Sul tem avançado de forma consistente na construção de uma agenda climática estruturada, baseada em dados, planejamento e ações concretas. Nosso objetivo é produzir com sustentabilidade, eficiência e responsabilidade, promovendo o desenvolvimento econômico aliado à preservação ambiental e contribuindo, de forma efetiva, para a transição global rumo a uma economia de baixo carbono”, afirmou.
A fala sintetiza o novo posicionamento do Estado: transformar metas climáticas em estratégia de desenvolvimento.
Esse movimento está ancorado no Proclima2050, conjunto de ações que orienta o planejamento estadual para alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Mais do que um plano ambiental, o programa funciona como eixo de governança para decisões públicas e privadas voltadas à adaptação climática, mitigação de impactos e financiamento verde.
Entre as principais frentes apresentadas estão o Programa ABC+ RS, voltado à agropecuária de baixa emissão de carbono; o Proveg-RS, focado na recuperação da vegetação nativa; a ampliação das áreas irrigadas; e ações específicas para redução do desmatamento no Bioma Pampa.
A agenda energética também ganhou protagonismo.
Foram destacadas iniciativas de incentivo à produção de biogás, biometano, expansão de fontes renováveis e desenvolvimento da cadeia do hidrogênio verde, um dos mercados mais promissores da nova economia global.
No plano econômico, a mensagem é clara: o Rio Grande do Sul quer participar do mercado climático internacional não apenas como regulador, mas como protagonista.
A corrida global pela descarbonização já movimenta trilhões de dólares em novos investimentos, e governos capazes de transformar política climática em vantagem competitiva tendem a atrair capital, inovação e cadeias produtivas de maior valor agregado.
Essa estratégia se conecta ao Plano Rio Grande, liderado pelo governador Eduardo Leite, criado para reconstrução, resiliência e preparação do Estado diante dos novos desafios ambientais e estruturais.
Após os eventos climáticos extremos que atingiram o território gaúcho, a agenda climática deixou de ser preventiva.
Passou a ser estrutural.
Outro ponto destacado foi o reconhecimento internacional já conquistado pelo Estado. O avanço em rankings globais de governança climática mostra que o Rio Grande do Sul começa a consolidar uma nova reputação institucional: a de um território capaz de combinar produção, sustentabilidade e planejamento de longo prazo.
Ao encerrar sua participação, Marjorie reforçou que nenhuma transição será bem-sucedida sem integração entre governo, empresas e sociedade.
“A transição para uma economia de baixo carbono exige compromisso coletivo, inovação e articulação entre diferentes setores. O Estado está criando condições para que o Rio Grande do Sul avance de forma sustentável, resiliente e competitiva no cenário nacional e internacional”, afirmou.
Ao escolher a inovação como palco para falar de clima, o Estado deixou clara sua mensagem ao mercado: descarbonizar, hoje, é também uma forma de competir. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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