Sexta-feira, 24 de abril de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 23 de abril de 2026
Os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025. É o quarto resultado negativo seguido desde 2021 – quando a estatal registrou lucro recorde de R$ 3,7 bilhões. Além disso, o resultado de 2025 é mais que o triplo do prejuízo de R$ 2,6 bilhões registrado no ano anterior. Segundo a empresa, a conta final foi influenciada pelo provisionamento de obrigações judiciais e pelo aumento de custos operacionais. No período, o patrimônio líquido encerrou em R$ 13,1 bilhões negativos.
Últimos anos:
– 2020: lucro de R$ 1,5 bilhão;
– 2021: lucro de R$ 3,7 bilhões;
– 2022: prejuízo de R$ 767,58 milhões;
– 2023: prejuízo de R$ 596,6 milhões;
– 2024: prejuízo de R$ 2,6 bilhões;
– 2025: prejuízo de R$ 8,5 bilhões.
Diante da situação financeira, a empresa implementou um plano de reestruturação financeira no final do ano passado. Desde então, a iniciativa está sendo conduzida em fases. A primeira etapa focou na reorganização do fluxo financeiro, regularização das pendências acumuladas com fornecedores e empregados terceirizados, além da recuperação da previsibilidade financeira.
Como parte da primeira fase do seu plano, os Correios captaram R$ 12 bilhões em crédito com um pool de bancos no fim de 2025. Os recursos asseguraram a liquidez imediata para normalização do fluxo financeiro, quitação de obrigações em atraso e recuperação da credibilidade com fornecedores, empregados e clientes.
Entre as medidas estruturais já em curso, também estão leilões de imóveis sem uso operacional. A estatal projeta gerar cerca de R$ 1,5 bilhão em receitas extraordinárias com a medida, reduzindo despesas de manutenção e contribuindo para o reequilíbrio do caixa.
Outra frente relevante foi a reabertura do PDV (Programa de Demissão Voluntária) em janeiro de 2026. Inicialmente, a expectativa da empresa era de que mais de 10 mil profissionais pedissem o desligamento. No entanto, um total de 3.181 empregados dos Correios aderiram ao PDV. O plano também prevê o reequilíbrio do plano de saúde, renegociação de passivos judiciais e o fechamento de 16% das agências da companhia.
De acordo com as demonstrações financeiras da estatal, o principal fator por trás do aumento bilionário das despesas foi o pagamento de precatórios decorrentes de decisões judiciais já transitadas em julgado (leia mais abaixo).
Sem aprofundar as causas desse crescimento — que atingiu R$ 6,4 bilhões em 2026, alta de 55,1% em relação a 2024 —, representantes da estatal afirmaram que parte do valor, equivalente a R$ 2,63 bilhões, está relacionada a dívidas herdadas de gestões anteriores. Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica.
Ainda segundo informações apresentadas pela empresa, a receita bruta no ano passado foi de R$ 17,3 bilhões, —11,35% menor que a registrada em 2024.
A queda nas receitas foi provocada, principalmente, pela redução de encomendas internacionais transportadas, em 66%, em relação ao ano anterior.
“O maior fator isolado da queda de receita foi a redução de 65,6% nas encomendas internacionais, provocada por mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor que alteraram os fluxos do comércio global”, diz o comunicado.
Segundo esse mesmo documento, os Correios reservaram R$ 2,63 bilhões para cobrir possíveis perdas em ações trabalhistas que tratam do pagamento do adicional de atividade de distribuição e coleta externa (AADC) e do adicional de periculosidade.
Esse tipo de reserva, chamada de provisão, é usada quando a empresa avalia que pode ter de pagar esses valores mais adiante.
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