Sexta-feira, 05 de junho de 2026

Sexta-feira, 05 de junho de 2026

Voltar Polícia Federal suspeita que dono do Banco Master bancou despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (2) que vê a necessidade de instaurar um inquérito para apurar o envio de recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos Estados Unidos sob a justificativa de financiar o filme Dark Horse.

Uma das suspeitas é que parte desses recursos tenha sido utilizada para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. A PF também quer esclarecer se o dinheiro financiou outras ações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo do presidente Donald Trump.

Segundo Andrei, a corporação analisou representações encaminhadas sobre o tema e enviou uma delas à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá se manifestar sobre o conteúdo da investigação, o foro competente e a relatoria do caso.

“Há necessidade de instaurar um inquérito para apurar todas essas circunstâncias que permeiam esses episódios”, afirmou o diretor-geral em entrevista à GloboNews.

Questionado se a investigação será separada das apurações envolvendo o Banco Master, Andrei respondeu que esse é o entendimento da área técnica da PF. Segundo ele, os fatos envolvem novos elementos relacionados a um eventual apoio financeiro a pessoas que atuam no exterior.

O diretor-geral apontou três possibilidades para a tramitação do caso: a vinculação às investigações do Banco Master, sob relatoria do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF); o envio ao ministro Alexandre de Moraes, que conduz investigações sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos; ou a distribuição por sorteio a outro integrante da Corte.

Segundo informações já divulgadas, os recursos teriam sido transferidos pela Entre Investimentos e Participações, empresa ligada a Vorcaro, para um fundo sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

Após a divulgação do financiamento do filme Dark Horse, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou irregularidades. Em nota, afirmou ser “falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro” e disse que os aportes foram direcionados exclusivamente à produção cinematográfica.

A PF pretende esclarecer se os valores enviados ao exterior foram efetivamente utilizados no filme ou se parte deles serviu para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O ex-parlamentar deixou o Brasil alegando perseguição por parte de Alexandre de Moraes e já afirmou enfrentar dificuldades financeiras após bloqueios de contas bancárias.

Eduardo é réu no STF por coação no curso do processo. Segundo a acusação, ele teria buscado sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras para interferir no julgamento de Jair Bolsonaro relacionado à tentativa de golpe de Estado. A denúncia foi apresentada pela PGR em 2025 e aceita por unanimidade pela Primeira Turma do Supremo.

No último dia 26, Moraes solicitou que a PGR se manifeste sobre um pedido de inclusão de Jair Bolsonaro e de Flávio Bolsonaro no inquérito que investiga a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

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