Quinta-feira, 09 de julho de 2026

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Voltar Negócio criminoso e lucrativo: Vorcaro gastou menos de 1% do que captou para ter apoio político

O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, destinou menos de 1% do total de recursos que teria movimentado em um suposto esquema de captação ilegal para obter apoio político, segundo investigação da Polícia Federal (PF). O dado consta em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que aponta indícios de pagamentos a agentes públicos e operadores políticos em troca de influência junto a órgãos do governo e do sistema financeiro.

De acordo com a PF, o grupo ligado a Vorcaro teria captado cerca de R$ 1,8 bilhão por meio de operações consideradas suspeitas. Desse montante, aproximadamente R$ 15 milhões teriam sido empregados para financiar a atuação de intermediários responsáveis por abrir portas em diferentes esferas do poder público. O valor representa menos de 1% do total movimentado, percentual que, na avaliação dos investigadores, demonstra o elevado retorno financeiro obtido com o suposto esquema.

A investigação sustenta que os recursos eram utilizados para aproximar o empresário de autoridades com poder de decisão sobre temas de interesse do Banco Master e de empresas relacionadas ao grupo. Entre os objetivos estariam a obtenção de vantagens regulatórias, o acesso privilegiado a informações e a facilitação de negociações envolvendo ativos financeiros.

Segundo documentos reunidos pela PF, mensagens extraídas de celulares apreendidos indicam uma relação frequente entre operadores do esquema e pessoas ligadas ao meio político. Os investigadores afirmam que há indícios de articulações para influenciar decisões administrativas e ampliar a capacidade de atuação do grupo empresarial.

O relatório também aponta que os gastos com influência política eram tratados como um investimento de baixo custo diante dos benefícios econômicos que poderiam ser alcançados. Para os investigadores, a estratégia consistia em direcionar uma parcela reduzida dos recursos captados para manter uma rede de contatos capaz de favorecer interesses privados em órgãos públicos.

A defesa de Daniel Vorcaro nega qualquer irregularidade. Em manifestações apresentadas às autoridades, os advogados do empresário afirmam que todas as operações financeiras realizadas pelo grupo possuem respaldo legal e que não há provas de compra de apoio político ou de pagamento de vantagens indevidas. A defesa também sustenta que a investigação se baseia em interpretações equivocadas de conversas e movimentações financeiras.

As apurações fazem parte de um inquérito mais amplo que investiga possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e tráfico de influência. A Polícia Federal continua analisando documentos, contratos, registros bancários e o conteúdo de aparelhos eletrônicos apreendidos durante as diligências.

O caso passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal em razão da presença de pessoas com foro por prerrogativa de função entre os investigados. O ministro relator autorizou a continuidade das diligências solicitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que buscam esclarecer a extensão do suposto esquema e identificar todos os seus participantes.

(Por Alvaro Gribel/Estadão Conteúdo)

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