Sexta-feira, 22 de maio de 2026

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Voltar Mário Frias viajou para o exterior sem autorização da Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados informou nesta sexta-feira (22) ao ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) fez dois pedidos de autorização para viagens oficiais ao Bahrein e aos Estados Unidos, mas os pedidos ainda estão em fase de “apreciação”.

A manifestação da Casa foi enviada ao STF após solicitação do ministro, que é relator da apuração que trata da destinação de emendas do deputado para uma ONG (organização não-governamental) ligada à produtora responsável pelas gravações da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Há um mês, o STF tenta notificar o deputado para que ele dê explicações sobre o envio de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, uma entidade ligada à produtora audiovisual Go Up Enterteinment, responsável pelas gravações do filme Dark Horse. Frias é apontado como produtor-executivo do filme.

De acordo com a Câmara, Frias pediu autorização para uma missão oficial ao Bahrein, entre 12 e 18 de maio, e aos Estados Unidos, no período de 19 e 21 de maio. Apesar da solicitação, o deputado não aguardou a resposta da Casa e viajou para os dois países por conta própria.

Em entrevista concedida na terça-feira (19) ao SBT News, Frias disse que esteve no Bahrein para “propor investimentos no Brasil” e que agora está nos Estados Unidos, onde fará a “prospecção de um investimento em segurança pública”.

O deputado disse que vai voltar ao Brasil nos próximos dias. “Eu tenho passagem de volta para o Brasil. Tenho uma filha de 14 anos no Brasil, a minha esposa está no Brasil. Não devo nada e estou pronto para prestar contas”, completou.

Investigação

O caso chegou ao STF por meio de uma representação feita pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Segundo a parlamentar, o envio de emendas para o filme de Bolsonaro pode configurar desvio de finalidade na aplicação de recursos públicos.

Frias sustenta que não há irregularidades nas emendas e cita um parecer da Advocacia da Câmara, que atesta a ausência de inconsistências ou vícios formais. O filme que retrata a vida política de Bolsonaro veio à torna após o site The Intercept revelar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar as gravações.

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