Durante os 580 dias em que esteve preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, entre abril de 2018 e novembro de 2019, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu a visita de ao menos 16 autoridades, intelectuais e ativistas estrangeiros. O levantamento, divulgado pelo Poder360 com base em registros públicos e reportagens da época, voltou ao centro do debate político após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negar autorização para que o presidente da Argentina, Javier Milei, visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar.
A decisão de Moraes foi fundamentada nas restrições impostas a Bolsonaro, que está proibido de receber visitas de caráter político ou eleitoral durante o atual período eleitoral. O encontro entre Milei e Bolsonaro estava previsto para ocorrer durante a viagem do presidente argentino ao Brasil, mas foi considerado incompatível com as medidas cautelares estabelecidas pelo STF.
No caso de Lula, as visitas ocorreram mediante autorizações concedidas pela Justiça ao longo do período em que o petista permaneceu detido para cumprir pena decorrente da Operação Lava Jato. Entre os visitantes estavam ex-chefes de Estado, parlamentares, dirigentes sindicais, acadêmicos e personalidades internacionais.
Entre os nomes que estiveram com Lula estão o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica; o então candidato à Presidência da Argentina, Alberto Fernández; o ex-presidente da Colômbia, Ernesto Samper; o ex-presidente da Argentina, Eduardo Duhalde; o ex-primeiro-ministro da Itália, Massimo D’Alema; o ex-presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz; o filósofo norte-americano Noam Chomsky; o sociólogo italiano Domenico De Masi; o ator e ativista Danny Glover; o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos; o escritor cubano Leonardo Padura; Juan Carlos Monedero, fundador do partido espanhol Podemos; Pilar del Río, presidente da Fundação José Saramago; Roberto Gualtieri, então eurodeputado; Cuauhtémoc Cárdenas, ex-governador da Cidade do México; e Sharan Burrow, então secretária-geral da Confederação Sindical Internacional.
Nem todos os pedidos de visita foram autorizados durante o período. O argentino Adolfo Pérez Esquivel, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, teve o acesso negado em 2018. Também foi barrada a visita do advogado argentino Juan Grabois, que pretendia entregar a Lula um rosário enviado pelo papa Francisco.
O levantamento ganhou repercussão após a comparação feita por aliados de Bolsonaro entre as condições impostas ao ex-presidente e aquelas enfrentadas por Lula durante sua prisão. Enquanto apoiadores do ex-presidente argumentam que houve tratamento diferente por parte do Judiciário, integrantes do STF sustentam que os casos possuem naturezas distintas e que as restrições atualmente aplicadas a Bolsonaro decorrem das medidas cautelares estabelecidas no processo em que ele responde.
A divulgação da lista de visitantes reacendeu o debate político sobre os critérios adotados para autorizar visitas a presos de grande repercussão nacional, tema que voltou à pauta após a negativa da visita de Milei ao ex-presidente Bolsonaro.
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