Quarta-feira, 24 de junho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 17 de março de 2026
Diante do debate sobre a redução da jornada de trabalho no País e do fim da escala 6×1, entidades empresariais se mobilizam para apresentar os respectivos números e os riscos estimados para emprego, preços e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar em até R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais, alta de até 7% na folha de pagamentos.
A pesquisa aponta, ainda, impactos maiores ou menores de acordo com o setor de atuação, o porte das empresas e o perfil da estrutura produtiva local de cada Estado ou região. A intensidade do uso da mão de obra é a principal variável que pesa nessas contas. No setor industrial, o efeito pode ser maior proporcionalmente, de até 11,1% da folha de salários.
“Cada setor tem especificidades em relação às suas escalas de trabalho. A indústria tem uma necessidade diferente do comércio, que é diferente da saúde, da pecuária e da agricultura. É isso que define a escala. Qualquer engessamento na escala de trabalho impede a melhor eficiência e a negociação entre as partes”, afirma o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.
Trabalho da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por sua vez, estima que cada 1% de aumento na folha de pagamentos do comércio representaria alta de 0,6% dos preços médios.
O documento calcula em R$ 122,4 bilhões o custo de adequação do setor à redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o fim da escala de seis dias de trabalho por um dia de descanso. Esse número corresponde a uma ampliação de 21% da folha de pagamentos, o que representaria 13% de ajuste nos preços a médio prazo.
De acordo com o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, o comércio não consegue repassar esse custo integralmente porque a renda da população não comporta o aumento. “Com isso, haveria um choque no faturamento, que levaria o setor a ajustar seu quadro de funcionários. Ou cai o faturamento, ou cai a margem do setor. Em ambos os casos a empregabilidade seria comprometida.”
Um terceiro estudo, realizado pela Tendências Consultoria e encomendado pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), estima a perda na atividade econômica no caso de redução da jornada de trabalho no Brasil de 44 horas para 36 horas por semana. No pior dos cenários, projeta queda de 4,9% do PIB ao fim de um período de cinco anos.
No documento da Tendências Consultoria, considera-se também duas situações: com e sem ganho de produtividade. Um dos argumentos dos defensores da alteração na jornada de trabalho é que o menor cansaço do trabalhador poderia permitir aumento na sua produtividade.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a discussão sobre a escala 6×1 é “legítima e necessária”, mas “o debate deve ser elevado, com menos disputa de narrativas e mais compromisso com resultados”, de olho no essencial, “sustentabilidade socioeconômica é condição para qualquer avanço duradouro”.
Já entre a população o fim da escala é bem visto. Pesquisa Datafolha publicada no sábado (14) mostra que 71% defendem que o número máximo de dias de trabalho semanais no Brasil deveria ser reduzido.
Outros 27% afirmam que não deveria. Apenas 3% não responderam.
Há uma ampla organização de confederações, federações e outras organizações de empresários para detalhar o que projetam de custos com as alterações em discussão. Um desses eventos foi o seminário “Modernização da jornada de trabalho”, promovido pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) e pela Coalizão de Frentes Produtivas, na terça-feira (10).
O tema também foi parte de reunião do Conselho Superior da Indústria da Construção (Consic) da Fiesp desta semana, um dos 19 fóruns de debate que a federação mantém com a sociedade.
Na semana passada, a CNI e outras 100 entidades empresariais divulgaram manifesto conjunto “pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. (Com informações do Valor Econômico)
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