Terça-feira, 08 de setembro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 8 de setembro de 2026
O presidente da Argentina, Javier Milei, promete aprofundar o programa de reformas econômicas caso consiga um segundo mandato, mas enfrenta perda de popularidade em meio à desaceleração da economia, dificuldades no mercado de trabalho, queda dos salários e escândalos de corrupção envolvendo seu governo.
Milei assumiu a Presidência em dezembro de 2023 com uma agenda de forte redução dos gastos públicos, desregulamentação da economia e combate à inflação. Segundo a reportagem, a inflação, que chegava a cerca de 13% ao mês antes de sua posse, caiu para aproximadamente 2% ao mês. O governo também passou a registrar superávits fiscais e promoveu mudanças para reduzir a burocracia e ampliar a abertura da economia.
O presidente afirma que pretende avançar ainda mais nas reformas. Em entrevista, Milei disse que ainda há gastos públicos a serem cortados e impostos a serem reduzidos. Também afirmou que, caso seja reeleito, o próximo pacote de reformas será mais profundo do que as medidas adotadas até agora.
O governo argentino aprovou neste ano uma reforma trabalhista e trabalha em mudanças na legislação do Banco Central. Em julho, Milei anunciou o envio ao Congresso de um projeto para alterar a Carta Orgânica do Banco Central da República Argentina (BCRA). A proposta faz parte da agenda econômica de seu governo.
Apesar da queda da inflação e do ajuste fiscal, a situação econômica passou a apresentar dificuldades em outras áreas. A reportagem aponta que o crescimento econômico está abaixo das expectativas do governo. A previsão inicial era de expansão de 5% em 2026, mas analistas consultados pela The Economist esperam um resultado próximo da metade desse percentual.
A atividade também apresenta diferenças entre os setores. Hidrocarbonetos, mineração e agricultura registram crescimento, enquanto a indústria e a construção continuam abaixo dos níveis observados quando Milei assumiu. Segundo a reportagem, existem atualmente cerca de 230 mil empregos formais a menos no setor privado em comparação com 2023, uma redução de 3,6%.
Os salários também se tornaram uma preocupação para o governo. Os rendimentos do setor privado formal ainda estão abaixo dos níveis registrados no início da atual administração. No setor público, a redução foi maior. Ao mesmo tempo, milhões de argentinos enfrentam dificuldades financeiras e quase 6 milhões de pessoas possuem dívidas atrasadas há mais de 90 dias, segundo os dados citados pela reportagem.
A mudança nas preocupações dos eleitores também afeta o cenário político. Quando Milei assumiu, a inflação era apontada como o principal problema pelos argentinos. Atualmente, segundo a reportagem, a preocupação com empregos e salários ganhou espaço, enquanto a inflação caiu para a oitava posição entre as prioridades mencionadas nas pesquisas.
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