Segunda-feira, 06 de julho de 2026

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Voltar Grupo gaúcho especializado no furto de caminhões de carga é alvo de denúncia à Justiça

Nessa terça-feira (16), o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou à Justiça 51 pessoas por organização criminosa, no âmbito de uma investigação sobre furtos de caminhões de carga em municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre e Vale do Sinos. Eles foram alvo de operação “Truck Hunters”, deflagrada em setembro pela Polícia Civil.

A acusação foi formulada pelo promotor Tiago Moreira, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRS, após análise de dois inquéritos que revelaram a existência de núcleos independentes, mas conectados e especializados nesse tipo de crime patrimonial.

“As provas indicam que os grupos mantinham estrutura organizada e, em alguns casos, colaboravam entre si para executar os delitos”, ressalta um resumo publicado no portal mprs.mp.br.

Um idoso de 67 anos chegou a ser preso durante a ofensiva mas acabou liberado em novembro. Ele não consta entre os denunciados, devido à insuficiência de indícios que o ligassem aos furtos.

Relembre

A “Truck Hunters” foi capitaneada pela Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRCOR), ambas integrantes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Os agentes cumpriram, no dia 11 de setembro, um total de 78 ordens judiciais de prisão preventiva e busca e apreensão. Saldo: 21 detidos, além do recolhimento de um caminhão, drogas e duas armas.

Os mandados foram cumpridos nas cidades de São Leopoldo, Novo Hamburgo, Viamão, Gravataí, Canoas, Guaíba, Porto Alegre, Capão da Canoa, Tramandaí, Portão, Alvorada, Sapucaia do Sul, Mariana Pimentel e Santa Maria.

Durante cerca de dois anos, a quadrilha preocupou caminhoneiros e empresários do ramo de transportes no Estado, combinando furtos de veículos de cargas com extorsão das vítimas e operações de desmanche em grande escala.

As investigações foram complexas desde a origem, dois anos antres, quando uma denúncia anônima levou a Brigada Miliar a um galpão em Viamão onde três indivíduos desmontavam um caminhão. Também foram encontrados no local um automóvel usado em crimes, além de outros dois caminhões completamente adulterados.

Uma semana deppos, a investigação ganhou novo impulso quando outra operação policial descobriu um segundo ponto da organização criminosa: um segundo galpão, na rodovia ERS-020, em Gravataí, com os mesmos tipos de crimes. Durante a fuga, um dos suspeitos deixou cair um aparelho telefônico que foi analisado pelos policiais civis.

O aprofundamento da operação revelou que a organização funcionava como uma “empresa” do crime, com departamentos especializados e hierarquia rígida. O “modus operandi” incluía procedimentos operacionais padronizados e que permitiam desmanches com eficiência industrial.

A quadrilha chegou a manter uma rede de contatos com postos de combustíveis, que os informava sobre caminhões carregados e seus horários de parada, além de atuarem no aluguel de galpões usados para o desmanche. O alvo dos criminosos eram caminhões carregados com cargas valiosas, tais como ração animal e materiais de construção, produtos eletrônicos.

Após identificar o potencial alvo, o grupo analisava o veículo, fazia levantamento fotográfico do entorno, planejava rotas de fuga e monitorava a presença policial, entre outras ações. Após, com o uso das “chaves-micha”, os criminosos abriam os veículos sem que fosse necessário o arrombamento.

Depois de furtarem os veículos, os criminosos passavam para a etapa da extorsão, pedindo entre R$ 5 mil a R$ 100 mil de “resgate” aos proprietários, dependendo do modelo do veículo e da carga. Desesperadas, muitas vezes, as vítimas pagavam os valores exigidos.

(Marcello Campos)

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