Sexta-feira, 19 de junho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 19 de junho de 2026
O governo do Distrito Federal informou ao Banco de Brasília (BRB) que apenas metade dos recursos obtidos com a securitização de créditos tributários poderá ser utilizada para reforçar o capital da instituição financeira e cobrir os impactos provocados pela exposição ao Banco Master. A outra metade deverá ser destinada ao financiamento da Previdência do Distrito Federal, em cumprimento às exigências legais que regulam a operação.
Segundo informações apuradas pelo Estadão, a decisão desagradou o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, que esperava um percentual maior dos recursos para fortalecer o balanço do banco. O governo distrital, por sua vez, mantém o compromisso de concluir o processo de recuperação da instituição até o fim deste mês. Procurado, o BRB não comentou o assunto.
A securitização é uma das principais alternativas adotadas pelo Distrito Federal para socorrer o banco estatal. A operação consiste na venda, no mercado financeiro, de créditos tributários que o governo tem a receber de contribuintes inadimplentes, mas que ainda não foram inscritos na dívida ativa.
Pela legislação vigente, os recursos arrecadados com esse tipo de operação devem ser direcionados para investimentos e para o regime próprio de Previdência. Em tese, aportes em instituições financeiras são classificados como inversões financeiras e não como investimentos. No entanto, o secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino de Oliveira, defende que a capitalização do BRB pode ser enquadrada como investimento, permitindo a utilização dos recursos da securitização.
“O BRB tem um complexo processo de ajuste que estamos caminhando para o final”, afirmou o secretário. “Escreve uma coisa aí: até dia 30 de junho o BRB está recuperado”, acrescentou.
Durante audiência pública realizada no Senado no início deste mês, Nelson Antônio de Souza já havia informado que parte dos recursos obtidos com a securitização precisaria ser direcionada à Previdência, embora não tenha detalhado que o percentual seria de 50%. Segundo ele, R$ 1,017 bilhão já teria sido incorporado ao patrimônio do banco.
“Entendemos também que, pela lei, isso é separado: uma parte pode ser feita ali como aporte ao banco e outra parte vai ser dividida logicamente com Previdência, com outras coisas, como a legislação também determina. Isso está sendo observado, só para ficar bem claro”, declarou o presidente do BRB.
A expectativa da instituição financeira é receber cerca de R$ 2,2 bilhões provenientes da securitização. Além disso, o banco busca captar outros R$ 6,6 bilhões por meio de uma operação estruturada com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que contaria com garantias de bancos públicos e privados.
Na prática, a securitização permite que o governo antecipe receitas futuras. Investidores compram os créditos tributários com desconto, apostando na recuperação integral dos valores no futuro. Em troca, o governo recebe recursos imediatos para financiar suas necessidades.
A operação, contudo, não tem como objetivo apenas socorrer o BRB. O governo distrital também enfrenta pressões fiscais relevantes. O déficit previdenciário do Distrito Federal chegou a R$ 1,5 bilhão neste ano e integra um rombo estimado em R$ 5,5 bilhões apontado pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). Por esse motivo, a destinação de parte dos recursos para a Previdência tornou-se prioridade para a administração local.
Esta é a terceira versão apresentada pelo governo do Distrito Federal sobre o destino dos recursos da securitização. Inicialmente, a administração afirmou que o dinheiro seria utilizado para “equilibrar as contas públicas, melhorando a liquidez e permitindo a realização de investimentos imediatos”.
Posteriormente, Valdivino de Oliveira declarou que os créditos securitizados poderiam ser utilizados como patrimônio do BRB, funcionando como uma solução contábil para reforçar a instituição sem impacto direto sobre o orçamento público.
Agora, o governo afirma que cumprirá as exigências legais de destinar os recursos tanto à Previdência quanto a investimentos. A controvérsia está justamente na interpretação de que a capitalização do BRB pode ser considerada uma modalidade de investimento, permitindo que parte dos valores seja direcionada ao banco.
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.