Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 7 de outubro de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou em conversa com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, que vai incluir o Brasil no Escudo das Américas, iniciativa de cooperação de segurança liderada por Donald Trump com aliados na América Latina.
O material foi publicado nessa quarta-feira (7) pelo perfil do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, três dias após Flávio ir ao segundo turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador diz “se Deus quiser, teremos maioria no Congresso brasileiro”, o que sugere que a reunião foi realizada antes do pleito.
“Eu vou com muita vontade e muita honra querer fazer parte também do Escudo das Américas, para fazer uma cooperação com a Colômbia e com os demais países que queiram se unir para combater essas facções narcoterroristas”, afirmou Flávio.
“(Traficantes) estão muito preocupados com a minha eleição e têm que ficar mesmo, porque vou implementar um regime muito duro aqui no Brasil e vou precisar muito conversar com o senhor (Espriella) para termos esse intercâmbio de informações: quando um criminoso da Colômbia estiver no Brasil será um grande prazer para mim como Presidente da República prendê-lo e entregá-lo ao senhor, assim como eu quero que o senhor entregue os bandidos brasileiros”, disse ao colombiano.
A proposta já é tratada como certa por aliados próximos de Flávio, como seu irmão Eduardo, próximo do governo Trump. O comentarista político e aliado bolsonarista Paulo Figueiredo afirma que, em uma eventual vitória de Flávio, o país passaria a integrar o grupo e que a adesão já estaria “encaminhada”.
Demais participantes também já teriam expressado desejo de ter o Brasil no grupo. “Tudo deve acontecer bem depressa, com os detalhes ajustados durante a transição”, diz Figueiredo.
Procurado para comentar o possível ingresso do Brasil na iniciativa, o Departamento de Estado americano não respondeu.
A campanha de Flávio também confirma a intenção de integrar a iniciativa, lançada pela gestão Trump e da qual o Brasil ficou de fora durante o governo Lula. A avaliação entre aliados do candidato é que a participação no grupo seria importante para sua estratégia de enfrentamento ao crime organizado.
Flávio pretende declarar guerra ao Comando Vermelho (CV) e ao PCC caso chegue à Presidência e avalia que, para isso, o Brasil precisaria ampliar a cooperação com países da região, sobretudo em ações coordenadas nas fronteiras. O Escudo das Américas serviria, então, como uma plataforma de colaboração entre governos no combate às facções criminosas.
A segurança pública se tornou um dos principais temas da corrida eleitoral, com diferenças entre os candidatos sobre a estratégia para enfrentar o crime organizado.
Em maio, Flávio esteve em Washington, onde se reuniu com Trump e integrantes de sua administração e defendeu que PCC e CV fossem classificados pelos EUA como organizações terroristas. Na capital americana, o senador teve acesso à cúpula do governo ao lado de Eduardo e Figueiredo, que nos últimos anos atuaram junto a autoridades americanas em defesa da aplicação de sanções contra integrantes do governo Lula e do Judiciário brasileiro.
Poucos dias depois da passagem de Flávio pelos EUA, o governo americano anunciou a designação das duas facções como terroristas.
Às margens da Assembleia Geral da ONU, em setembro, o grupo de países do continente que fazem parte do Escudo das Américas se reuniu com Trump em Nova York e assinou uma nota conjunta em que se compromete a declarar grupos criminosos, incluindo os brasileiros PCC e CV, como terroristas.
Os países que assinam a declaração são Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. O Brasil foi pego de surpreso pelo comunicado.
Em seu discurso durante a reunião em Nova York, o republicano fez clara menção ao fato de que os participantes do Escudo das Américas são seus aliados e se beneficiaram eleitoralmente de seu apoio.
“Apoiei alguns de vocês, e conquistamos grandes vitórias eleitorais” disse ele. “Acho que meu placar é de nove vitórias em nove disputas: todos que apoiei venceram. Estamos vencendo muito. Estou com vocês até o fim e farei tudo o que estiver ao meu alcance.” (Com informações da Folha de S.Paulo)
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