Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 8 de outubro de 2026

Três anos após o ataque de 7 de outubro de 2023 em Israel — quando militantes do Hamas invadiram o país, matando mais de 1,2 mil pessoas e sequestrando 251 — a comunidade judaica do Rio Grande do Sul reuniu-se na Praça Maurício Cardoso, em Porto Alegre, para um ato de memória e resistência. O encontro, realizado diante do Monumento da Resiliência, contou com a presença de cerca de 300 participantes, entre autoridades, rabinos e representantes de mais de 30 entidades judaicas.
Entre os mortos estava o porto-alegrense Ranani Nidejelski Glazer, de 24 anos, assassinado durante o festival Supernova, no sul de Israel. Sua lembrança reforçou a conexão direta entre a tragédia internacional e a realidade local, tornando o ato ainda mais significativo para a comunidade judaica gaúcha.
Vozes da memória e da resistência
O prefeito de Porto Alegre , Sebastião Melo, destacou a dimensão humana e política da homenagem: “Esse ato de memórias das vítimas, do 7 de outubro a três anos atrás, é um ato que nenhum de nós gostaria de estar aqui. Mas ele se faz necessário para lembrar as memórias, que cada memória seja abençoada, mas também de solidariedade às famílias enlutadas… Mas, acima de tudo, ele é um ato para repudiar o ódio.”
O presidente da Câmara Municipal, Moisés Barbosa, reforçou a importância da união institucional: “O dia de hoje é um dia de reflexão. A gente viu aqui o prefeito das cidades, 30 entidades da comunidade israelita e a gente, em nome da Câmara de Governadores, não poderia estar em outro lugar que não aqui.”
A presidente da Federação Israelita do Estado, Daniela Russowsky, trouxe uma mensagem de ressignificação e responsabilidade coletiva: “Esse é um dia para a gente lembrar, para a gente honrar a memória daqueles que foram assassinados no 7 de outubro, mas mais do que isso, o dia de ressignificar. O que a gente vai fazer com essa memória? Como que a gente honra essa memória? É seguir vivendo, mas é também entendendo que a gente não pode permitir que extremismos, que a intolerância e que o ódio cheguem nesse nível.”
A vereadora Fernanda Barth, proponente do ato, ressaltou o papel do monumento como espaço permanente de lembrança: “A Federação Israelita abraçou o monumento, a Prefeitura de Porto Alegre nos deu todo apoio, o pessoal da praça comprou a ideia, porque exige uma segurança extra ter um monumento desse. Infelizmente, essa é a nossa realidade. Ter um espaço para onde a gente pudesse todo ano lembrar o que aconteceu, para que aquilo nunca mais se repita.”
Dimensão social e política
O ato não se limitou a homenagear as vítimas. Ele projetou um compromisso coletivo: transformar dor em solidariedade e memória em ação. A presença de autoridades municipais e estaduais reforçou o caráter institucional da cerimônia, sinalizando que o combate ao antissemitismo e à intolerância religiosa é também uma responsabilidade pública. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
Nos últimos anos, Porto Alegre tem se consolidado como referência nacional em iniciativas de memória e resistência. O Monumento da Resiliência, inaugurado em parceria entre a Federação Israelita e a Prefeitura, tornou-se marco permanente contra o esquecimento e símbolo da convivência democrática.
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