Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 1 de outubro de 2026
A três dias do primeiro turno, a campanha de Flávio Bolsonaro passou a tratar como prioridade uma tarefa que, a esta altura da disputa presidencial, ainda considera pendente: reduzir as resistências entre eleitores que não consolidaram o voto. É com esse objetivo que aliados passaram a defender a participação do senador no último debate antes da votação, mesmo depois de Luiz Inácio Lula da Silva decidir não comparecer.
O movimento ocorre em um cenário de indefinição ainda relevante. Pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostrou que 31% dos eleitores se declararam indecisos na pesquisa espontânea, quando não é apresentada a lista de candidatos. O levantamento também apontou baixo interesse pela eleição, com 23% afirmando não ter nenhum interesse no pleito e 36% com pouco interesse.
É nesse eleitor menos mobilizado e ainda sem voto consolidado que a campanha de Flávio vê uma oportunidade no debate. Na avaliação de aliados, o horário nobre de uma quinta-feira, a poucos dias da eleição, oferece uma exposição que o candidato não quer desperdiçar, mesmo que não esteja frente a frente com seu principal rival.
A aposta no debate faz parte de uma calibragem mais ampla do discurso de Flávio nos últimos dias. No programa eleitoral que encerra nesta quinta-feira sua participação na TV antes do primeiro turno, o candidato adotou um tom mais brando, deixou de citar Lula nominalmente e trocou os ataques diretos ao petista por referências ao custo de vida, ao “medo” dos brasileiros e ao que chamou de “velho sistema”. A maior parte da peça foi dedicada a uma retrospectiva da campanha e a agradecimentos aos eleitores.
Na propaganda eleitoral, Flávio afirmou que o Brasil “pode ser muito melhor do que está” e apresentou a eleição como uma disputa entre dois campos ao dizer que “ou o Brasil vence, ou eles derrotam o Brasil”. A campanha optou por críticas mais indiretas e por uma mensagem voltada à mudança.
A tentativa de reduzir resistências também ajuda a explicar a inflexão na estratégia dos debates. Flávio havia condicionado sua participação nos confrontos anteriores à presença de Lula e repetido que não faria sentido disputar sozinho com os demais candidatos. A avaliação era que, sem o petista, os outros presidenciáveis poderiam concentrar ataques no senador, uma vez que disputam, em grande medida, os mesmos votos da direita.
A decisão de comparecer veio acompanhada, porém, de uma orientação para evitar que esses embates dominem sua participação. Flávio foi aconselhado por aliados a responder caso seja atacado, mas sem prolongar o confronto ou devolver provocações gratuitamente. A ideia é responder ao ponto levantado e, sempre que possível, deslocar a discussão para Lula e para o atual governo.
A contenção tem ainda como pano de fundo uma eventual segunda etapa da disputa. A campanha tenta conciliar dois movimentos na reta final: intensificar o apelo pelo voto útil entre eleitores de outros candidatos da direita e, ao mesmo tempo, evitar confrontos que dificultem futuras aproximações com esses mesmos grupos. Caso avance, Flávio deverá buscar já a partir de domingo o apoio dos adversários que ficarem pelo caminho.
A expectativa de aliados é que parte dos demais candidatos faça cálculo semelhante, embora reconheçam que rivais como Romeu Zema e Ronaldo Caiado também precisam se diferenciar de Flávio para tentar conquistar eleitores da direita nesta reta final. Por isso, a campanha trabalha com a possibilidade de ataques, mas considera contraproducente transformar o debate em uma sucessão de embates dentro do mesmo campo político.
A equipe quer que Flávio aproveite o espaço para apresentar ideias para um eventual governo em áreas como economia, segurança pública, saúde e educação.
Flávio passou a quarta-feira treinando respostas para temas que a equipe considera possíveis no confronto, especialmente os que se tornaram vulnerabilidades ao longo da campanha, como a relação com Daniel Vorcaro, o financiamento de Dark Horse, a controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida e episódios de sua trajetória política.
O treinamento foi conduzido pelo marqueteiro Duda Lima. Antes de Lula confirmar que não participaria, um integrante da equipe chegou a interpretar o presidente nas simulações, fazendo perguntas e ataques que poderiam aparecer no confronto. A preparação incluiu também o púlpito vazio destinado ao petista e maneiras de explorar a ausência do principal adversário.
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