Terça-feira, 23 de junho de 2026

Terça-feira, 23 de junho de 2026

Voltar Exportação brasileira aos Estados Unidos recua ao menor nível em 30 anos

As exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos atingiram o menor nível de participação nas vendas externas do país em três décadas, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (22). A fatia norte-americana no total exportado pelo Brasil caiu para 9,3% no acumulado entre agosto de 2025 e maio de 2026, resultado atribuído principalmente às sobretaxas impostas pelo governo do presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.

O recuo representa uma mudança relevante na composição do comércio exterior brasileiro. Durante grande parte das últimas décadas, os Estados Unidos figuraram como o principal destino das exportações nacionais. Hoje, embora continuem entre os parceiros mais importantes do país, os norte-americanos perderam espaço para outros mercados, especialmente a China e países asiáticos, que ampliaram sua participação nas compras de produtos brasileiros.

A redução da presença dos EUA nas exportações ocorre após a adoção de tarifas que chegaram a 50% para determinados itens brasileiros. As medidas foram anunciadas em julho de 2025 e passaram a afetar setores com forte presença no mercado norte-americano, como siderurgia, metalurgia, madeira, alimentos processados e alguns segmentos do agronegócio. Empresas exportadoras relatam aumento de custos, renegociação de contratos e maior dificuldade para manter competitividade diante de concorrentes de outros países.

Economistas avaliam que o movimento não significa uma interrupção do comércio bilateral, mas evidencia uma perda relativa de importância dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira. A diversificação de mercados, iniciada nos últimos anos, ganhou força justamente após o aumento das barreiras tarifárias. Com isso, parte das vendas que tradicionalmente seguiriam para os EUA foi redirecionada para outros destinos.

Apesar da queda na participação, os Estados Unidos permanecem como um dos principais compradores de produtos industrializados brasileiros. Diferentemente do comércio com a China, concentrado em commodities como soja, minério de ferro e petróleo, as exportações para o mercado norte-americano têm maior valor agregado e incluem máquinas, aeronaves, autopeças, produtos químicos e bens manufaturados. Por isso, o impacto da redução das vendas preocupa setores da indústria nacional.

Representantes do setor exportador defendem a retomada das negociações comerciais entre os dois países para reduzir barreiras e ampliar a previsibilidade dos contratos. A avaliação é que a manutenção das tarifas pode provocar perda de investimentos e deslocamento de parte da produção para mercados com acesso mais favorável aos consumidores norte-americanos.

O governo brasileiro acompanha o tema por meio dos ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e das Relações Exteriores. Integrantes da equipe econômica afirmam que a estratégia tem sido ampliar acordos comerciais, fortalecer a presença brasileira em novos mercados e buscar diálogo diplomático para evitar o agravamento das restrições impostas pelos Estados Unidos.

Analistas também observam que a queda da participação norte-americana ocorre em um momento de expansão das exportações brasileiras para outras regiões. Países da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina aumentaram suas compras nos últimos meses, ajudando a compensar parte das perdas registradas no mercado dos EUA. Ainda assim, o desempenho do comércio bilateral continuará sendo acompanhado de perto, já que os Estados Unidos seguem como um dos parceiros estratégicos do Brasil em investimentos, tecnologia e indústria.

Os dados que apontam a participação de 9,3% dos EUA nas exportações brasileiras foram divulgados com base no período de agosto de 2025 a maio de 2026 e representam o menor patamar em cerca de 30 anos, consolidando uma mudança histórica na geografia do comércio exterior do país.

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