Sexta-feira, 04 de setembro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 4 de setembro de 2026

Um grupo multidisciplinar reuniu-se durante a 49ª Expointer, para enfrentar um dos principais desafios da cadeia produtiva da bubalinocultura: a escassez de matéria-prima para o único frigorífico de leite de búfala em funcionamento no estado. O encontro contou com representantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Emater/RS, Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação e Desenvolvimento Rural (Seapi) e da Associação Gaúcha de Criadores de Búfalos (Ascribu).
O objetivo foi traçar estratégias para fortalecer a produção e garantir o abastecimento da indústria local, criando condições para o crescimento sustentável do setor.
Fomento e articulação institucional
O coordenador do Grupo de Estudos em Bubalinocultura (Gebu) da UFRGS, professor Diogo Magnabosco, explicou que o encontro resultará na proposta de incluir representantes da cadeia produtiva na Câmara Setorial do Leite, com vistas à criação de um grupo de trabalho específico. “Para realmente fomentar o búfalo, é preciso ver essa rota do leite, produzir em maior escala e atender à nossa demanda aqui no Rio Grande do Sul”, afirmou.
Segundo Magnabosco, o estado ainda depende de leite de búfala proveniente de outras regiões para suprir o mercado local. Dos dois frigoríficos existentes, apenas um está ativo, o que limita a capacidade de processamento. “Com mais produtores de leite, cresce a possibilidade de ativar novos laticínios. A produção pode ser feita em pequena escala, dentro da agricultura familiar, em regiões específicas e próximas aos locais de processamento”, explicou.
Vantagens produtivas e sanitárias
O professor destacou as características sanitárias e produtivas que tornam o búfalo uma alternativa viável para pequenos produtores. “É um animal que exige menos na parte sanitária, tem resistência ao carrapato e menor incidência de mastite. Isso gera um animal eficiente, resistente e capaz de produzir um produto de alto valor no mercado”, detalhou.
Além da rusticidade, o leite de búfala apresenta maior rendimento na produção de mozzarella, produto com forte inserção no mercado gastronômico e crescente demanda em restaurantes e indústrias de alimentos.
Educação e capacitação técnica
Entre as propostas discutidas, está o desenvolvimento de programas de capacitação e extensão rural voltados a pequenos produtores e estudantes de escolas técnicas agrícolas. A ideia é disseminar conhecimento sobre manejo, nutrição e potencial econômico da bubalinocultura, estimulando novas adesões ao sistema produtivo.
A Emater/RS e a Seapi devem atuar na articulação de políticas públicas e na orientação técnica, enquanto a UFRGS e a Ascribu contribuirão com pesquisa e transferência de tecnologia.
Perspectivas para o setor
O fortalecimento da cadeia do leite de búfala pode representar uma nova fronteira produtiva para o Rio Grande do Sul, especialmente em regiões com vocação para sistemas familiares e sustentáveis. A criação de um grupo de trabalho permanente permitirá integrar pesquisa, extensão e mercado, ampliando a competitividade do setor e diversificando a matriz produtiva do estado.
A iniciativa marca um passo importante para consolidar o Rio Grande do Sul como referência nacional em bubalinocultura, unindo ciência, tradição e inovação para atender à crescente demanda por produtos diferenciados e de alto valor agregado. (por Gisele Flores e Gabrielen Marques)
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