Sábado, 23 de maio de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 23 de maio de 2026
O papa Leão XIV criticou neste sábado (23), as ações de empresas poluidoras em uma área próxima a Nápoles. Ele cumprimentou uma a uma, famílias que perderam entes queridos devido ao despejo ilegal de resíduos tóxicos no local.
Muitos pararam para compartilhar fotografias e outras lembranças de crianças e jovens que morreram ou lutam contra o câncer – doenças ligadas a um esquema criminoso bilionário comandado pela máfia.
A visita de Leão à chamada Terra dei Fuochi, ou Terra dos Fogos, ocorreu na véspera do 11º aniversário da importante encíclica ecológica do papa Francisco, Laudato Si (Louvado Seja), e demonstra o compromisso de Leão em dar continuidade à agenda ambiental de seu antecessor.
“Vim, antes de tudo, recolher as lágrimas daqueles que perderam entes queridos, mortos pela poluição ambiental causada por pessoas e organizações inescrupulosas que, por muito tempo, puderam agir com impunidade”, disse Leão em um discurso para familiares e membros do clero local dentro da catedral de Acerra.
O pontífice lembrou que a área agora chamada de Terra dos Fogos já foi conhecida como “Campania felix”, latim para campo abençoado ou fértil, “capaz de encantar por sua fertilidade, seus produtos e sua cultura, como um hino à vida”.
“E, no entanto, aqui está a morte, da terra e dos homens”, disse o Papa. No ano passado, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos validou uma geração de queixas de moradores de que o despejo, o enterro e a queima de resíduos tóxicos pela máfia levaram a um aumento da taxa de câncer e outras doenças na área de 90 municípios ao redor de Caserta e Nápoles, abrangendo uma população de 2,9 milhões de pessoas.
O tribunal constatou que as autoridades italianas tinham conhecimento da poluição tóxica desde 1988, atribuída à Camorra, o sindicato do crime que controla o descarte de resíduos, mas não tomaram as medidas necessárias para proteger os moradores. A decisão vinculativa deu à Itália dois anos para criar um banco de dados sobre os resíduos tóxicos e os riscos à saúde comprovados associados à vida na região.
Bispo critica o despejo
O bispo Antonio Di Donna, em suas observações iniciais, estimou que 150 jovens morreram na cidade de cerca de 58 mil habitantes nas últimas três décadas – enfatizando que o número não levava em conta adultos e vítimas em outros municípios.
Ele pediu ao papa que repreendesse aqueles que continuam a poluir, observando que o despejo de toneladas de resíduos tóxicos foi relatado um dia antes perto de Castera. Di Donna disse que as autoridades italianas identificaram dezenas de outros locais de contaminação causada por humanos em todo o país, incluindo o porto veneziano de Marghera e a lixiviação de substâncias químicas PFAS no lençol freático perto de Vicenza.
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