Segunda-feira, 06 de julho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 16 de dezembro de 2025
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil reconhece que a atividade econômica está esfriando gradativamente e que a inflação tem surpreendido positivamente, mas não se mostrou muito aberto à possibilidade de iniciar um ciclo de cortes na Selic já em janeiro.
Essa é leitura que os economistas fazem da ata do Copom divulgada nesta terça-feira (16). A manutenção da cautela está relacionada à continuidade de pressões na demanda. Atualmente, a taxa de referência está fixada em 15% ao ano, nível que a autoridade monetária considera adequado para levar a inflação para a meta de 3%.
Segundo o documento, o Banco Central avalia que o cenário externo se mantém incerto em função da política econômica dos Estados Unidos, exigindo cautela de países emergentes. Por outro lado, em relação ao cenário doméstico, a avaliação é de que os indicadores seguem apresentando trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho segue resiliente a desaceleração.
“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação. As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,4% e 4,2%, respectivamente”, ressaltou o Copom.
Atualmente, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está medida em 4,46% no acumulado de 12 meses, pouco abaixo do teto da meta, que é 4,5% se considerado o intervalo de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No horizonte relevante da política monetária, a inflação só deve se aproximar da meta no segundo trimestre de 2027.
Para Caio Megale, economista-chefe da XP, o BC fez um comunicado do tipo “ainda não é hora de baixar a guarda”, embora tenha reconhecido que a atividade econômica está arrefecendo conforme o esperado e que a inflação surpreendeu positivamente comparado ao que era esperado no início do ano. “A política monetária está funcionando. Ainda assim, os vetores inflacionários se mantêm adversos, exigindo cautela à frente”, comenta.
Na avaliação de Megale, a ata indica a necessidade de manter a taxa Selic nos níveis atuais (15% anuais) por mais tempo, de modo a reforçar o processo de desinflação em curso.
“Em outras palavras, o Comitê não parece inclinado a iniciar o ciclo de corte de juros em janeiro, apesar da melhora recente no cenário inflacionário”, argumenta.
O economista-chefe da XP destaca que o Copom segue avaliando o ambiente externo como “incerto”, ainda que no cenário interno tenha comentado uma a percepção de redução no crescimento do consumo das famílias. Além disso, a visão do BC é que o mercado de trabalho, permanece “em patamar bastante apertado”, apesar de alguns sinais de moderação.
Sobre a inflação, Megale comenta que a autoridade monetária enfatizou que as leituras recentes vieram melhores do que o esperado pelo Comitê, mas que as expectativas “permanecem acima da meta de inflação em todos os horizontes”. “Ademais, a ata ressaltou que os vetores inflacionários se mantêm adversos’.”
Ele explica ainda que, ao destacar que “o cenário prescreve uma política monetária significativamente contracionista por período bastante prolongado”, o Copom deixa uma mensagem clara de que necessita de mais tempo e mais informações antes de iniciar um ciclo de flexibilização monetária.
“Assim, entendemos que a ata divulgada hoje é consistente com o nosso cenário de que o Banco Central iniciará o ciclo de cortes de juros em março. Projetamos seis cortes consecutivos de 0,50 p.p., com a taxa Selic encerrando 2026 em 12,00%.”
Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, concorda que o corte de juros em janeiro parece menos provável e dependerá de uma mudança de visão do Comitê. E isso a partir de uma nova melhora incremental no cenário de inflação, incluindo a continuidade da queda das expectativas, que ainda é destaque sendo um grande incomodo para o Copom.
Para ela, uma mudança importante na ata é o reconhecimento da melhora no cenário atual, com o cenário externo mais benigno, principalmente via câmbio, favorecendo a queda na inflação de bens industriais e alimentos. “Além disso, os indicadores de atividade apontam uma moderação, refletindo na desacelerando da inflação de serviços, ainda que de maneira lenta”, cita.
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