Terça-feira, 28 de julho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 28 de julho de 2026
O dólar encerrou esta terça-feira (28) em alta frente ao real, refletindo a cautela dos investidores diante do cenário internacional e da expectativa pela decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. A moeda norte-americana avançou 0,20% e fechou cotada a R$ 5,1216. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, também terminou o pregão no campo positivo, com valorização de 0,70%, aos 176.565 pontos.
Com o resultado, o dólar acumula alta de 0,80% na semana, mas ainda registra queda de 0,80% no mês e recuo de 6,69% no acumulado de 2026. O Ibovespa, por sua vez, sobe 1,45% na semana, avança 2,64% em julho e já acumula valorização de 9,58% no ano.
No cenário externo, o principal fator de atenção continua sendo o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã. Na segunda-feira (27), o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que decidiu suspender temporariamente os ataques para dar uma nova oportunidade às negociações diplomáticas, mas advertiu que poderá ordenar uma ofensiva ainda mais intensa caso não haja avanços nas conversas. As declarações foram recebidas com cautela pelo mercado, especialmente porque autoridades iranianas afirmaram que não existe qualquer negociação direta em andamento com Washington.
Segundo o governo iraniano, as conversas atualmente em curso envolvem Omã e tratam exclusivamente da administração do Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. De acordo com a agência Reuters, o governo omanita apresentou uma proposta para criar um mecanismo regional de gestão compartilhada da via marítima, inspirado no modelo adotado no Estreito de Malaca.
A proposta prevê que os países e empresas que utilizam o Estreito de Ormuz façam contribuições voluntárias para financiar a segurança da navegação, ações de preservação ambiental e operações de busca e salvamento. Pelo modelo, a administração seria compartilhada entre os países da região, sem conceder controle exclusivo ao Irã sobre o canal, considerado um dos pontos mais sensíveis para o abastecimento global de petróleo.
A perspectiva de redução das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar as cotações internacionais do petróleo. Durante a tarde, o barril do Brent, referência global, recuava cerca de 4,80%, negociado a US$ 84,12, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caía 4,19%, para US$ 79,15 o barril. A queda da commodity contribui para reduzir preocupações com pressões inflacionárias e custos de energia em diversos países.
No Brasil, os investidores também acompanharam o ambiente político. Permaneceram no radar as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência no último sábado (25). Na ocasião, Milei fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Em resposta, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, comparou os indicadores econômicos dos dois países e classificou o presidente argentino como “palhaço”, ampliando o desgaste diplomático entre os governos.
Na agenda econômica, o destaque ficou para a divulgação do IPCA-15 de julho, considerado a prévia oficial da inflação. O índice subiu apenas 0,06% no período, resultado abaixo das expectativas do mercado e que reforçou a percepção de desaceleração das pressões inflacionárias no país. Além disso, os investidores permaneceram à espera da decisão do Fed, prevista para esta quarta-feira (29). A expectativa predominante é de manutenção das taxas de juros nos Estados Unidos, embora o comunicado da autoridade monetária seja acompanhado de perto em busca de sinais sobre o início de um eventual ciclo de cortes nos próximos meses.
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