Quinta-feira, 23 de julho de 2026

Quinta-feira, 23 de julho de 2026

Voltar Dólar fecha a R$ 5,08 com avanço do petróleo e tarifaço dos Estados Unidos; Bolsa cai

O dólar voltou a subir diante do real nesta quinta-feira (23), encerrando o pregão cotado a R$ 5,0839, com alta de 0,65%. O movimento foi impulsionado pelo avanço dos preços do petróleo em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e pelas preocupações dos investidores com os novos desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos. Na contramão da moeda americana, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 0,46%, aos 176.724 pontos.

Apesar da valorização da moeda norte-americana no dia, o dólar acumula queda de 0,53% na semana, 1,53% no mês e 7,38% no ano. Já o Ibovespa segue em trajetória positiva, com ganhos de 1,59% na semana, 2,59% no mês e 9,53% em 2026, refletindo a recuperação observada ao longo dos últimos meses.

O principal fator de pressão sobre os mercados foi a forte alta do petróleo. A continuidade dos ataques no Oriente Médio voltou a alimentar temores sobre possíveis interrupções no fornecimento global da commodity, especialmente diante das dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.

Mesmo após a divulgação de informações de que Omã conduz negociações entre a Arábia Saudita, representantes iemenitas e um enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) em busca de uma solução diplomática para o conflito, os investidores mantiveram postura cautelosa. No fechamento do mercado brasileiro, o barril do petróleo Brent, referência internacional, avançava 6,13%, sendo negociado a US$ 99,84, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 5,37%, para US$ 91,49.

Outro tema que permaneceu no radar foi a política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entrou em vigor na quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado americano. A medida foi adotada após uma investigação do governo dos Estados Unidos concluir que o Brasil mantém práticas que restringiriam ou onerariam o comércio bilateral.

O governo brasileiro contesta as conclusões da investigação e classifica a decisão como uma tentativa de interferência em assuntos internos do país. Além disso, o mercado acompanha a expectativa de anúncio de uma nova tarifa, estimada entre 10% e 12,5%, que deverá atingir cerca de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos, entre eles o Brasil. Nesse caso, a justificativa apresentada pelo governo americano está relacionada a uma investigação sobre práticas comerciais consideradas desleais envolvendo produtos fabricados com trabalho forçado.

Na quarta-feira, o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, voltou a afirmar que práticas de desmatamento no Brasil colocariam produtores rurais americanos em desvantagem competitiva, defendendo a adoção de tarifas mais elevadas. A argumentação foi rejeitada pelo governo brasileiro. Na última semana, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, classificou as acusações como “absolutamente improcedentes” e “inverídicas”, ressaltando que o sistema brasileiro de controle ambiental e de rastreabilidade das exportações é rigoroso e reconhecido internacionalmente.

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