Terça-feira, 08 de setembro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 7 de setembro de 2026
O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, declarou nessa segunda-feira (7), estar “profundamente chocado” com a derrota avassaladora sofrida por seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), frente à legenda de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições regionais realizadas no dia anterior no estado de Saxônia-Anhalt.
“Desde ontem, não apenas a Saxônia-Anhalt mudou, mas toda a Alemanha”, afirmou Merz, após reuniões com lideranças da CDU em Berlim. “Esse resultado eleitoral terá consequências”, assegurou.
O chanceler descartou qualquer trabalho conjunto com a legenda de extrema direita, segundo a agência Reuters. Ele reconheceu que o resultado abalou o seu partido, União Democrata-Cristã (CDU), em suas fundações, conforme declaração ao jornal Bild citada pela agência.
A AfD recebeu 43,8% dos votos e mais que dobrou seu resultado anterior no estado. A CDU ficou com 17,2%, 20 pontos a menos do que no último pleito. Merz classificou o resultado como a mais dura derrota eleitoral do partido em décadas.
Extrema-direita
Nessa segunda, AfD pediu apoio ao bloco conservador na tentativa de governar, pela primeira vez, um Estado. O partido não alcançou maioria absoluta no Parlamento estadual: ficou com 39 das 83 cadeiras e apela agora a parlamentares da CDU para viabilizar seu projeto de governar o estado, o que seria a primeira vez que uma legenda de extrema direita assume o poder em nível estadual na Alemanha do pós-guerra.
O resultado testa a recusa histórica dos partidos tradicionais alemães em trabalhar com a AfD, política conhecida como “muro de contenção”. A sigla considera a prática antidemocrática.
A única legenda alemã que sinalizou disposição de trabalhar com a AfD é o BSW, partido populista de esquerda. As duas siglas compartilham a hostilidade à imigração em massa e defendem o fim do apoio alemão à Ucrânia e a retomada dos laços com Moscou.
O partido anti-imigração e favorável à Rússia conquistou cerca de 44% dos votos, mais que o dobro da última eleição estadual, em 2021. Entre as propostas vencedoras estão a deportação de imigrantes, o fim do apoio à Ucrânia e o abandono da moeda Euro.
O programa do partido inclui planos para orientar escolas e instituições culturais em direção ao que considera valores mais tradicionais. O partido quer que os filhos de refugiados sejam ensinados em turmas separadas.
O “Alternativa para a Alemanha” também pediu que as bandeiras arco-íris sejam proibidas nas escolas e que a bandeira nacional seja hasteada todos os dias. Outras propostas incluem patrulhas de cidadãos e a suspensão de novos parques eólicos.
Cautela histórica
A vitória política do “Alternativa para a Alemanha” também trouxe preocupações na França e na Polônia. Os serviços de inteligência classificam o partido como “extremista”.
Ainda segundo a Reuters, o “Alternativa para a Alemanha” rejeita essas acusações e as considera “alarmismo”.
O partido de extrema-direita é considerado hoje, um dos mais populares do país, com 28% das intenções de voto, segundo pesquisa do Instituto para Novas Respostas Sociais.
Segundo levantamento citado pela Reuters, a AfD foi mais votada entre homens: 50% deles apoiaram o partido, contra 39% das mulheres. Os eleitores da legenda também tendem a ter menor estabilidade econômica e menor escolaridade. (Com informações do g1 e Agência Brasil)
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