Quarta-feira, 13 de maio de 2026

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Voltar “Algoritmo segue promovendo ódio e desinformação nas redes”, afirma escritor

Definido pelo New York Times como relato “devastador e definitivo” dos impactos das redes sociais na saúde mental das pessoas e em eventos de proporções históricas, “A máquina do caos: como as redes sociais reprogramaram nossa mente e nosso mundo”, de Max Fisher, acaba de ser lançado no Brasil.

Eleito um dos cinco melhores trabalhos de excelência em jornalismo em 2022 pela New York Public Library, o livro mostra como Facebook, Twitter e YouTube, entre outros, identificaram e usaram fragilidades psicológicas dos usuários para criar algoritmos focados em engajamento impulsionado por opiniões e ações extremadas. Fisher, que foi colunista e repórter da editoria de Internacional do Times até o mês passado, fez dezenas de entrevistas para o livro, inclusive no Brasil, onde observou o avanço do bolsonarismo em paralelo à multiplicação de notícias falsas nas redes como o kit gay e a guerrilha digital antivacina.

Ele também esmiuçou centenas de pesquisas e recebeu documentos vazados por delatores do Vale do Silício para derrubar a tese de que as redes são meras ferramentas que refletem a natureza humana. Para o especialista no tema, que vê o Brasil como “janela privilegiada para se entender as redes sociais nos próximos anos”, elas estimulam comportamentos extremistas e disseminam notícias falsas pautadas pela lógica irresponsável do lucro garantido pelo algoritmo.

“Após a invasão do Capitólio, em 2021, aumentou a pressão política às big techs, pois finalmente todos testemunharam a dimensão das consequências das redes sociais para a democracia. YouTube, Facebook, que proibiu por alguns meses anúncios políticos, e Twitter, que incluiu avisos como ‘gostaria de ler o post antes de replicar?’, buscaram diminuir danos, mas com passos lentos e sem ânimo. O algoritmo segue promovendo desinformação e discurso de ódio nas redes. Nos EUA, as fake news sobre vacinação e fraude eleitoral não se justificavam apenas pelo lucro, motivação central, mas também porque as empresas queriam agradar a Donald Trump. O que terá impacto global nos usuários das redes no futuro próximo é o clima político em Washington. O jogo das eleições americanas passará uma vez mais pelas redes sociais”, afirmou o escritor.

Risco dos algoritmos

“Há o risco. Trump, com todos os problemas com a Justiça, ainda é o favorito no momento para vencer as primárias republicanas”, disse o jornalista. “O Vale do Silício busca a reaproximação cautelosa com o ex-presidente. Ele criou sua própria plataforma, mas as gigantes aceitaram-no de volta às suas redes, após punições por conta do Capitólio. O YouTube, o que faltava, acabou de fazer isso. Não é acaso. Se a extrema direita seguir dominante na base republicana, as plataformas voltarão à sua pior versão, com ramificações globais. Investiu-se muito em inteligência artificial e moderação de conteúdo em larga escala nas plataformas para elas se autorregularem. O quadro só muda com menos extremismo a se promover ou mais regulamentação.”

Sobre o Brasil

“Ainda não me debrucei sobre as inciativas no Brasil, mas aqui a Suprema Corte trata de um processo muito importante (o de um pai que acusa o Google, por conta de recomendações de vídeos de ódio no YouTube, de ter radicalizado terroristas que mataram sua filha em Paris em novembro de 2015).” E continua: “Se os juízes decidirem que as plataformas são responsáveis por promover extremismo religioso, irão transformar drasticamente como elas operam. A maioria conservadora na Corte é menos ideológica do que partidária, não se pautará apenas pela defesa da liberdade de expressão e do mercado, mas pelo que beneficia os republicanos. Trump é crítico do Vale do Silício, embora se beneficie do modelo irresponsável de negócio nas redes sociais.”

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