Sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 17 de julho de 2026
A Agência Internacional de Energia (IEA) defendeu que governos criem ou ampliem reservas estratégicas de minerais críticos para reduzir o risco de paralisações em setores como indústria automotiva, tecnologia, energia e defesa diante de restrições às exportações ou interrupções no fornecimento global.
A recomendação faz parte do relatório Global Critical Minerals Outlook 2026, divulgado na quinta-feira (16). Segundo a agência, manter estoques de 11 grupos de materiais considerados de alto risco custaria menos de US$ 900 milhões por ano aos países que dependem de importações do principal fornecedor mundial, atualmente a China.
O cálculo considera apenas os custos anuais de manutenção das reservas, como armazenamento, logística, financiamento e renovação dos materiais. A formação inicial dos estoques exigiria investimentos de aproximadamente US$ 9,2 bilhões em minerais, produtos processados e componentes. Os materiais permaneceriam como ativos dos governos ou das empresas responsáveis e poderiam ser liberados em situações de emergência ou substituídos periodicamente.
A proposta prevê estoques equivalentes a um ano das importações provenientes do maior fornecedor de cada material. Para a IEA, essas reservas funcionariam como um mecanismo de resposta rápida, garantindo o abastecimento da indústria enquanto governos e empresas buscam novos fornecedores, ampliam a produção doméstica ou aceleram projetos de mineração e processamento.
“Estoques estratégicos de minerais críticos, mantidos especificamente para situações de emergência e com participação do governo, podem desempenhar um papel importante no fornecimento emergencial em caso de graves interrupções da oferta”, afirma o relatório.
A agência ressalta, porém, que as reservas não eliminam a dependência estrutural das cadeias globais nem substituem investimentos em mineração, refino, reciclagem e desenvolvimento tecnológico. O objetivo é evitar que a falta de pequenas quantidades de insumos interrompa cadeias industriais inteiras.
Segundo a IEA, uma aplicação integral das atuais restrições chinesas às exportações de terras raras poderia colocar em risco até US$ 6,5 trilhões por ano em produção industrial fora da China. No caso do grafite de grau-bateria, os impactos poderiam atingir mais de US$ 300 bilhões.
Os materiais classificados como prioritários incluem grafite, materiais ativos para cátodos de baterias, terras raras, lítio, cobalto, titânio, tungstênio, molibdênio, antimônio, germânio e gálio. A seleção levou em conta a concentração da oferta mundial, a importância para setores estratégicos, a existência de fornecedores alternativos e a viabilidade de armazenamento.
A criação de reservas estratégicas não é inédita. Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul já mantêm estoques destinados à proteção de suas indústrias e da segurança nacional. Nos EUA, o principal instrumento é o National Defense Stockpile, utilizado para garantir o fornecimento de materiais essenciais em situações de guerra, emergências nacionais ou interrupções no comércio internacional. Segundo a IEA, apenas em 2025 o governo americano mobilizou mais de US$ 7 bilhões em recursos voltados ao fortalecimento de suas cadeias de minerais críticos.
A agência também recomenda que os países armazenem produtos já processados e prontos para uso industrial, e não apenas o minério bruto. Como exemplo, cita as terras raras: na ausência de uma indústria nacional de ímãs, seria mais eficiente manter estoques de ímãs permanentes, utilizados por montadoras e fabricantes de equipamentos, do que apenas óxidos ou metais que ainda precisariam ser transformados.
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.