Sexta-feira, 26 de junho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 8 de junho de 2026
Além do passaporte e ingressos para os jogos da Copa do Mundo 2026, o torcedor que viajar deve levar na bagagem seguro médico e as informações de saúde, o que inclui a situação vacinal.
A orientação é do médico emergencista Ian Maia, vice-presidente da Abramede (Associação Brasileira de Medicina de Emergência) e professor de emergência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
“Se houver uma emergência, o médico que atende no exterior precisa saber rapidamente quais doenças a pessoa tem, remédios que usa, quais alergias são relevantes”, explica Maia.
“A Copa do Mundo é um evento de massa, com multidões, deslocamentos, cidades, aeroportos, calor, consumo de álcool, mudança de rotina. Então, quem tem doença crônica e usa medicamento contínuo precisa se planejar. E quando você tem uma emergência, a informação boa economiza tempo”, afirma.
Vacinas
Os países-sede da Copa do Mundo – Estados Unidos, México e Canadá – enfrentam surtos de sarampo, o que torna a vacinação contra a doença necessária. É recomendável ter o esquema completo até pelo menos duas semanas antes do deslocamento.
Segundo a recomendação do Ministério da Saúde, pessoas de 1 a 29 anos devem ter duas doses da tríplice viral, enquanto adultos de 30 a 59 anos devem ter pelo menos uma. Profissionais de saúde precisam comprovar duas doses independentemente da idade. Em situações de surto, bebês de 6 a 11 meses podem receber a dose zero, que é preventiva e não substitui o preconizado no calendário.
Também é importante a imunização contra a gripe e Covid, vírus que circulam fora do período sazonal.
Doentes crônicos
Quem tem uma doença crônica precisa viajar com a certeza de que está controlada. Um paciente com dor no peito, por exemplo, deve passar por consulta antes do deslocamento para avaliar a necessidade de realização de exames. Se estiver saudável e assintomático, não é necessário.
Febre pode ser o início de uma infecção. Se estiver acompanhada de prostração, e se não baixar com dipirona, é imprudente pegar um avião e ir para outro país. “Não sabemos se ela vai evoluir para uma doença mais grave ou não. E isso pode gerar até um contexto de saúde pública ao infectar outras pessoas”, diz Ian Maia.
Informações de saúde
O turista deve levar um relatório em inglês e espanhol contendo as doenças que possui, os medicamentos que usa (tanto nome comercial quanto genérico), as alergias, uso de insulina (diabetes), anticoagulantes, corticoides, medicações para epilepsia e marca-passo (com a marca e data do último ajuste) e de remédios controlados, o número do seguro de saúde e os contatos de um familiar e do médico no Brasil. Leve também a carteirinha de vacinação atualizada.
Também devem portar um documento simples com as informações médicas relevantes do paciente, de forma fácil e clara. Pode ser até mesmo armazenado no celular, desde que esteja acessível em caso de emergência.
Em emergências, o tipo sanguíneo é sempre verificado antes de uma transfusão. Existe sangue compatível com todos os tipos para uso imediato. Informações como alergias e medicamentos de uso contínuo são muito mais importantes, pois podem evitar reações graves como anafilaxia.
Seguro de saúde
Países como os Estados Unidos não oferecem assistência à saúde pública, sendo todos os atendimentos pagos. Um bom seguro deve cobrir atendimentos de emergência, internações e até traslado em UTI, com coberturas que podem chegar a US$ 100 mil ou US$ 200 mil.
Remédios controlados
A prescrição médica brasileira não é válida nos EUA, mas a FDA (Food and Drug Administration, agência reguladora americana) permite a entrada com medicamentos controlados em quantidade suficiente para até 90 dias. O mesmo vale para o Canadá. No México, a quantidade máxima é de 30 dias.
Para os três países, é obrigatório transportar o remédio na caixa original, com bula e acompanhado da receita médica brasileira, preferencialmente traduzida para o inglês e espanhol. O receituário deve conter também a dosagem, nome do médico e o CRM. A regra é a mesma para as canetas emagrecedoras.
Quem usa remédio controlado, é bom levar um pouco a mais do que toma caso precise estender a permanência no exterior.
É recomendável ter a receita no idioma do país de destino, mas o que a alfândega avalia principalmente é o medicamento em si e a quantidade transportada. O mais importante é levar o remédio na caixa original, pois isso permite identificar o produto e verificar se a quantidade está dentro do limite permitido de 90 dias. (As informações são da Folha de S. Paulo)
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