Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 11 de junho de 2026
A SpaceX confirmou nesta quinta-feira (11) o preço de sua aguardada oferta pública inicial de ações (IPO), fixada em US$ 135 por papel. A operação permitirá à companhia levantar cerca de US$ 75 bilhões, consolidando a maior abertura de capital já realizada nos mercados globais.
Com a precificação, a empresa fundada por Elon Musk chegará à bolsa de valores com valor de mercado estimado em US$ 1,76 trilhão. O montante coloca a SpaceX entre as empresas mais valiosas do planeta, ocupando a oitava posição no ranking global e superando gigantes como Oracle, Berkshire Hathaway e JPMorgan Chase.
A companhia ficará atrás apenas de grupos como Nvidia, Microsoft, Apple, Amazon, Alphabet, Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) e Broadcom, consolidando-se como uma das principais referências do setor de tecnologia e inovação.
O IPO da SpaceX vinha sendo aguardado há anos pelo mercado financeiro. Diferentemente de empresas de tecnologia que optaram por abrir capital poucos anos após sua fundação, a companhia permaneceu fechada para investidores de varejo por mais de duas décadas. Durante esse período, apenas fundos de investimento, grandes instituições financeiras e investidores privados tiveram acesso às ações da empresa.
Segundo analistas, essa longa espera ajudou a criar uma forte demanda reprimida pelos papéis da companhia. O fenômeno é semelhante ao observado em empresas de inteligência artificial que estudam abrir capital, como a OpenAI, responsável pelo ChatGPT, e a Anthropic, embora ambas possuam trajetória muito mais curta do que a SpaceX.
O elevado valor de mercado também é explicado pela diversificação dos negócios da empresa. Além da divisão aeroespacial, responsável pelos foguetes Falcon e pelo desenvolvimento da nave Starship, a companhia controla a Starlink, rede global de internet via satélite que já atende milhões de usuários em dezenas de países.
A Starlink é considerada uma das principais apostas de crescimento da empresa para os próximos anos. O estrategista-chefe da Avenue, William Castro, avalia que o mercado global de conectividade pode movimentar até US$ 1,6 trilhão nas próximas décadas.
Segundo ele, caso a Starlink conquiste cerca de 10% dos mercados de telefonia móvel e banda larga, a receita anual da operação poderá crescer significativamente. Atualmente, a divisão já gera aproximadamente US$ 20 bilhões por ano.
No segmento aeroespacial, a liderança da SpaceX é sustentada pela tecnologia de reutilização de foguetes. A empresa revolucionou o setor ao reduzir drasticamente os custos de lançamento, tornando-se responsável por grande parte das missões espaciais comerciais e governamentais realizadas atualmente.
Outro fator apontado pelos especialistas é o chamado “efeito Musk”. O empresário, considerado o homem mais rico do mundo, construiu ao longo dos anos uma base fiel de investidores que enxergam potencial de crescimento em seus projetos. A trajetória da Tesla, que transformou o mercado de veículos elétricos e hoje vale cerca de US$ 1,4 trilhão, é frequentemente citada como exemplo da capacidade de execução do empreendedor.
Para analistas, a combinação entre inteligência artificial, internet por satélite, exploração espacial e a figura de Elon Musk ajuda a explicar a forte valorização atribuída à SpaceX antes mesmo de sua estreia no mercado.
As ações da companhia começam a ser negociadas nesta sexta-feira (12) na Nasdaq sob o código SPCX. A expectativa dos investidores é que o papel registre forte volatilidade nos primeiros pregões, impulsionado pelo interesse global em uma das empresas mais influentes da nova economia.
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