Segunda-feira, 12 de outubro de 2026

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Voltar Sociedades médicas brasileiras pedem proibição de chip da beleza manipulado

Doze entidades médicas e científicas nacionais e internacionais pedem à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a proibição total dos implantes hormonais manipulados no Brasil, conhecidos popularmente como “chips da beleza”. O pedido está na Carta do Rio de Janeiro, divulgada durante o 20º Congresso Mundial de Menopausa, realizado na capital fluminense.

Entre as entidades que assinam o documento estão a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Sociedade Internacional da Menopausa (IMS).

Também assinam a carta a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a Associação Brasileira de Climatério (Sobrac) e as sociedades brasileiras de Mastologia (SBM), Reprodução Humana (SBRH), Cardiologia (SBC) e Hepatologia (SBH).

As entidades alertam que os implantes, frequentemente vendidos como solução para sintomas da menopausa, alterações na libido, emagrecimento e ganho muscular, não passaram por estudos clínicos de qualidade que comprovem os benefícios anunciados ou garantam a segurança de seu uso.

A carta também denuncia a expansão de um modelo comercial que envolve produção em escala, formação de estoques, treinamento de médicos para prescrever os produtos e divulgação nas redes sociais.

Em maio, uma investigação do g1 revelou como esse mercado continua funcionando apesar das restrições sanitárias. A reportagem identificou médicos que prescrevem os implantes, oferecem cursos sobre sua utilização e mantêm vínculos comerciais com farmácias de manipulação.

Documentos obtidos pela reportagem mostraram que implantes comprados por cerca de R$ 200 chegam a ser revendidos às pacientes por valores entre R$ 4 mil e R$ 12 mil.

Agora, as entidades querem que a proibição seja acompanhada de fiscalização mais rigorosa, fortalecimento da notificação de efeitos adversos e responsabilização dos envolvidos na cadeia comercial.

Debate

A discussão se arrasta desde outubro de 2024, quando a Anvisa determinou a suspensão da manipulação, comercialização, propaganda e uso de todos os implantes hormonais manipulados. Após uma série de recursos administrativos apresentados por médicos, clínicas e farmácias, a agência voltou atrás no mês seguinte e substituiu a proibição total por regras mais restritivas.

Desde então, permanece proibida a comercialização e o uso de implantes hormonais manipulados à base de esteroides anabolizantes ou hormônios androgênicos para fins estéticos, ganho de massa muscular e melhora do desempenho esportivo.

A manipulação, entretanto, continua permitida em condições específicas para outras finalidades terapêuticas.

Na investigação publicada em maio, o g1 revelou como essa possibilidade abriu espaço para que implantes com ação anabolizante continuassem sendo oferecidos como tratamento para menopausa, endometriose e síndrome dos ovários policísticos, apesar da falta de evidências robustas para essas indicações nessa forma de uso.

As sociedades médicas defendem que a autorização excepcional para a manipulação individualizada não pode servir para manter um mercado de produtos sem os estudos exigidos dos medicamentos registrados.

“Prescrição individualizada não significa experimentação sem evidência e segurança”, afirmam.

A nova carta solicita que a Anvisa proíba a manipulação, a formação de estoques, a comercialização, a distribuição, a publicidade e o uso dos implantes hormonais manipulados, independentemente da finalidade.

Preocupação médica

Um dos principais problemas está na própria forma de administração. Inseridos sob a pele, os implantes podem continuar liberando hormônios durante meses.

Diferentemente de tratamentos em comprimidos ou géis, que permitem ajustes na dose ou interrupção do uso, os implantes nem sempre podem ser retirados completamente. Caso a paciente apresente uma reação adversa ou seja exposta a concentrações hormonais excessivas, pode não ser possível interromper imediatamente o tratamento.

As entidades também alertam para a ausência de estudos que comprovem a qualidade farmacêutica, a estabilidade, a esterilidade e a velocidade de liberação hormonal desses produtos.

Além disso, permanecem sem respostas questões sobre a segurança a longo prazo, incluindo riscos cardiovasculares, hepáticos, trombose, AVC e possíveis consequências para as mamas e o endométrio. (Com informações do g1)

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