Segunda-feira, 22 de julho de 2024

Segunda-feira, 22 de julho de 2024

Voltar Sífilis: as possíveis razões para a explosão de casos no Brasil e no mundo

A sífilis ganhou vários nomes desde o primeiro registro dela, na década de 1490 – a maioria deles pejorativos. Um nome, porém, permaneceu: “a grande imitadora”. A sífilis é mestre em imitar outras infecções, e os primeiros sintomas são fáceis de ignorar. Mas, se a doença não for tratada, as consequências podem ser graves.

Tushar, um gestor de projetos de 33 anos que vive em Amsterdã, nos Países Baixos, teve sífilis duas vezes. Ele se lembra de ter recebido a notícia pela primeira vez via WhatsApp de uma pessoa com quem tinha relações sexuais na época. Tushar foi testado e tratado naquela semana.

“As pessoas pensam erroneamente que a sífilis não pode ser curada. As pessoas não entendem o que significa ainda ter anticorpos contra a sífilis e não ter a infecção”, lembra.

Em abril, os Estados Unidos divulgaram os seus dados mais recentes sobre infecções sexualmente transmissíveis (IST). Os casos de sífilis subiram 32% entre 2020 e 2021 no país. Foi o maior número de notificações em 70 anos. Também foi a IST de maior prevalência no período.

A epidemia não mostra sinais de desaceleração, alertaram os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). A sífilis congênita – quando uma mãe transmite a infecção ao filho durante a gravidez, muitas vezes após a contrair do parceiro — avançou de forma particularmente acentuada, com os casos aumentando também 32% (assim como as infecções em geral) entre 2020 e 2021.

No Brasil, dados divulgados pelo Ministério da Saúde em outubro de 2023 mostraram que, de 2021 para 2022, a taxa de detecção de casos de sífilis adquirida por 100 mil habitantes cresceu 23% (de 80,7 casos por 100 mil habitantes em 2021 para 99,2 casos por 100 mil habitantes em 2022).

A sífilis adquirida é aquela contraída durante a vida, após o nascimento, distinguindo-se da sífilis congênita. De 2012 a 2022, houve aumento na taxa de detecção de sífilis adquirida no Brasil ano após ano, com exceção de 2020, provavelmente por conta da diminuição de diagnósticos durante a pandemia de covid-19.

A detecção de sífilis em gestantes também aumentou no país no ano passado, saindo de uma taxa de 28,1 casos a cada mil nascidos vivos em 2021 para 32,4 casos a cada mil nascidos vivos em 2022, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. Já a incidência de sífilis congênita ficou estável.

O ministério anunciou a compra de um novo teste rápido para detectar ao mesmo tempo infecções por sífilis e HIV que será distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS), inicialmente para grupos de maior risco.

Além disso, para conter a doença, o órgão afirmou que vai intensificar o preparo de profissionais de saúde para a prevenção. O governo federal definiu como meta controlar ou eliminar, até 2030, 14 doenças com elevada incidência em regiões de maior vulnerabilidade social, entre elas a sífilis. Outro objetivo é eliminar particularmente a sífilis congênita.

O quadro mundial está deixando muitos profissionais e pesquisadores de saúde alarmados. “Não há dúvida de que estamos vendo taxas crescentes de sífilis, taxas que não víamos nos últimos 20 anos ou mais.” E não é algo que assusta apenas no Brasil e nos EUA.

Houve 7,1 milhões de novos casos de sífilis em todo o mundo em 2020, segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em 2022, o Reino Unido viu os casos de sífilis atingirem o nível mais elevado desde 1948. O aumento de casos é algo que os profissionais de saúde percebem no dia a dia.

“Quando comecei a atuar como enfermeira na área de saúde sexual, em 2005, era muito raro ver sífilis primária, mesmo numa clínica de uma grande cidade”, diz Jodie Crossman, codiretora da STI Foundation, fundação especializada em ISTs no Reino Unido. “Agora, a maioria das clínicas atende pelo menos dois ou três pacientes por dia para tratamento.”

A infecção é causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum e os sintomas são divididos em quatro estágios. A primeira é caracterizada por uma ferida indolor no local do contato ou uma erupção cutânea. Uma dose intramuscular de penicilina é considerada a forma mais eficaz de tratar a infecção. Se não houver tratamento, no entanto, a sífilis pode levar a doenças neurológicas e cardiovasculares a longo prazo

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Deixe seu comentário

No Ar: Show Da Madrugada