Segunda-feira, 04 de maio de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 4 de maio de 2026
Nos últimos meses, o governo da Rússia reforçou os protocolos de segurança do presidente Vladimir Putin, em meio a temores sobre tentativa de assassinato e golpe de Estado. O alerta começou após um ataque de drones da Ucrânia, segundo reportagem publicada, nesta segunda-feira (4), pelo FT (Financial Times).
Em junho do ano passado, a Ucrânia realizou seu maior ataque contra bases aéreas dentro da Rússia desde o início da guerra, uma operação coordenada que atingiu pontos de leste a oeste do país, até a Sibéria, e deixou dezenas de aeronaves russas em chamas.
Em dezembro, autoridades russas acusaram Kiev de ter tentado atacar uma residência de Putin na região de Novgorod, entre Moscou e São Petersburgo, com 91 drones de longo alcance, destruídos pelas defesas aéreas russas. Na ocasião, dirigentes ucranianos denunciaram o caso como uma acusação “inventada” para dificultar os esforços de paz, narrativa acompanhada por aliados na Europa.
Segundo o FT e a CNN, que citam fontes próximas ao presidente russo e uma fonte ligada a serviços de inteligência europeus, o FSO (Serviço Federal de Proteção da Rússia), responsável pela segurança das principais autoridades do país, reforçou significativamente a segurança de Putin, que tem passado mais tempo em bunkers subterrâneos e se afastado dos assuntos civis.
Enquanto o líder russo trabalha há várias semanas em um dos bunkers na região de Krasnodar, no sul da o país — numa área costeira que faz fronteira com o Mar Negro e fica a horas de distância de Moscou — a mídia estatal usa imagens pré-gravadas para projetar normalidade.
Funcionários do círculo mais próximo do presidente — incluindo cozinheiros, fotógrafos e guarda-costas — também foram proibidos de usar transporte público e usar celulares ou dispositivos com acesso à internet perto dele, segundo a inteligência europeia. Além disso, sistemas de vigilância também foram instalados nas casas dos empregados.
O isolamento do presidente russo vem aumentando especialmente desde março, devido ao temor de que um golpe de Estado ou tentativa de assassinato pudesse ocorrer. O relatório mostra ainda que, desde o início de março, o “Kremlin e o próprio Vladimir Putin estão preocupados com possíveis vazamentos de informações confidenciais”. Segundo o documento, Putin é particularmente cauteloso com o uso de drones em uma “possível tentativa de assassinato por membros da elite política russa”.
Um relatório de uma agência de inteligência europeia ao qual a CNN teve acesso revela que Putin não visitou nenhuma instalação militar este ano até agora, apesar das viagens regulares em 2025. Segundo a rede americana, algumas das medidas foram implementadas nos últimos meses após o assassinato de um general de topo em dezembro. O episódio, diz o relatório, provocou uma disputa nas fileiras superiores dos órgãos de segurança do Kremlin.
Uma das razões para a crescente preocupação, segundo fontes ouvidas pelo FT, foi a chamada “Operação Teia de Aranha”, quando drones ucranianos atacaram em junho do ano passado bases aéreas russas além do Círculo Polar Ártico.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, indicou que a ameaça e o recente sucesso de ataques ucranianos de maior alcance foram uma motivação. “Contra o pano de fundo dessa ameaça terrorista, é claro, todas as medidas estão sendo tomadas para minimizar o perigo”, declarou. (Com informações de O Globo)
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